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sábado, 1 de junho de 2013

DESPERTA, TU QUE DORMES

SERMÕES DE JOHN WESLEY
(1703 – 1791)
DESPERTA, TU QUE DORMES

Pregado no domingo, 4 de abril de 1742, perante a Universidade de Oxford.
“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te alumiará”.
(Efésios 5.14)
DISCORRENDO sobre estas palavras, pretendo, -com o auxílio de Deus,
1º— Descrever os adormecidos, a quem as palavras do texto se dirigem;
2º— Corroborar a.exortação — “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos”; e
3º— Explanar a promessa feita aos que despertam e levantam-se: “Cristo te alumiará”.

I

1. Primeiramente, tratemos dos adormecidos aí citados. De sono se entende ser o estado natural do homem, mergulhado naquela profunda inconsciência de alma; na qual o pecado de Adão infundiu tudo quanto havia em suas entranhas: a indolência, a preguiça, a incompreensão, a insensibilidade no tocante à sua condição real, estado este que é próprio de todo homem que vem ao mundo, perdurando até que a voz de Deus o desperte.
2. “Aqueles que dormem, dormem de noite”. O estado natural do homem é de profunda obscuridade, lembrando a condição segundo a qual “as trevas cobrem a terra e noite densa envolve o povo”. O pobre pecador ainda não despertado, qualquer que seja a extensão dos conhecimentos que possua acerca de outras coisas, não se conhece a si mesmo: neste sentido “ele nada sabe do que devia saber”. Não sabe que é um espírito decaído, cuja necessidade primacial, no mundo presente, é reerguer-se de sua queda e recuperar a imagem de Deus, segundo a qual fora criado. Não percebe a falta da única coisa necessária, isto é, a mudança interior de alcance universal, aquele “nascer de cima” simbolizado pelo batismo, que é o início da renovação total; aquela santificação de espírito, alma e corpo, “sem a qual ninguém virá a
Deus”.
3. Carregado de todas as enfermidades, julga-se, todavia, em perfeita saúde. Encarcerado em prisões de aço e de miséria, protesta estar em liberdade. Ele diz: “Paz, Paz!”, enquanto o diabo, como “um forte homem armado”, está de plena posse de sua alma. Dorme placidamente, descansa, enquanto o inferno se move sob seus pés para lhe vir ao encontro; enquanto o abismo, de onde ninguém jamais regressa, abre suas fauces para o tragar. Arde o fogo em torno de si, e ele não o pressente; queima-o, e apesar de tudo ele nada percebe.
4. Por adormecido entendemos, pois, (e prouvera a Deus que todos nós o compreendêssemos do mesmo modo!) o pecador satisfeito com seus pecados; contente com o permanecer em seu estado de queda, com o viver e morrer sem nunca refletir a imagem de Deus; o que ignora sua enfermidade e o remédio único que o pode curar; o que nunca foi advertido ou que nunca atentou para a voz de Deus que o aconselha a “fugir da ira vindoura”; o que jamais notou que estava exposto ao perigo do fogo do inferno ou que jamais clamou do mais profundo de sua alma: “Que devo eu fazer para me salvar”?
5. Se o que dorme não for exteriormente viciado, seu sono será, habitualmente, o mais profundo de todos: quer seja ele do espírito de Laudicéia, “nem frio, nem quente”, mas um pacífico, racional, inofensivo, prestimoso adepto da religião de seus pais; quer seja zeloso e ortodoxo e, “conforme a mais rigorosa seita de nossa religião”, viva como “um fariseu”, isto é, de acordo com o perfil farisaico da narrativa néotestamentária; quer seja como o que a si mesmo se justifica, trabalhando por estabelecer sua própria justiça como fundamento de sua aceitação por parte de Deus, — profundo lhe decorrerá o sono!
6. Assim é aquele que, “tendo a forma da piedade, nega o poder dela”; e ainda provavelmente a ultraja, onde quer que ela se manifeste, qualificando-a como simples extravagância e pura ilusão. Entretanto, o infeliz enganador de si mesmo dá graças a Deus porque “não é como os demais homens, que são adúlteros, injustos e ladrões”: não, ele não faz mal a ninguém. “Jejua duas vezes por semana”, usa de todos os meios de graça, é assíduo à igreja e aos sacramentos e “paga o dizimo de tudo quanto tem”; faz todo o bem que está em suas mãos fazer; “no tocante à justiça da lei”, ele é “irrepreensível”; nada lhe falta de piedade, mas de poder; nada lhe falta de religião, mas de espírito; nada lhe falta de cristianismo, mas de verdade e vida.
7. Não sabe, entretanto, o cristão desse tipo, que, por mais altamente estimado que possa ser em meio dos homens, é, todavia, abominação à vista de Deus e herdeiro de todos os ais com que o Filho de Deus denunciou ontem, verbera hoje e estigmatizará para sempre os “escribas e fariseus hipócritas?” É ele que “limpa o exterior do copo e do prato”, deixando seu interior cheio de roda imundície. “Uma enfermidade horrível pesa ainda sobre ele, de sorte que seu interior é deplorável”. Nosso Senhor com propriedade o compara a um “sepulcro branqueado”, que “parece formoso por fora”, mas, não obstante a, boa aparência, “está cheio de ossos e de toda podridão”. Os ossos, a bem dizer, não estão secos; os nervos e as carnes recobrem-nos, e exteriormente os envolve a pele; neles não há, porém, sopro; nada do Espírito do Deus vivo. E, “se alguém não possui o Espírito de Cristo esse tal não é dele”. “Vós sois de Cristo, se é que o
Espírito de Deus habita em vós”; mas, se isto não se dá, Deus sabe que estais ainda mortos.
8. Este é outro característico do adormecido de que fala o texto: ele habita o mundo dos mortos, embora não o saiba. Está morto para Deus, “morto em delitos e pecados”. Porque, “ter a mente carnal é estar morto”. Corno está escrito: “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte; assim a morte, passou a todos os homens”, não só a morte temporal, mas também a morte espiritual e eterna. “No dia em que comeres, desse Deus a Adão, tu certamente morrerás”: não corporalmente (a não ser que se leve em conta que ele então se tornou mortal), mas espiritualmente: perderás a vida de tua alma; morreras para Deus; serás separado dele, que é a vida essencial e a felicidade.
9. Deste modo foi primeiro dissolvida a união vital de nossa alma com Deus; de sorte que, “em meio da vida natural, estamos agora em estado de morte espiritual”. Neste estado permaneceremos até que o Segundo Adão se torne para nós em Espírito vivificante; até que ele levante o morto, morto em pecado, em prazeres, riquezas e honras. Mas, antes que qualquer alma possa viver, o pecador primeiro “ouve” (preste atenção) “a voz do Filho de Deus”: toma-se sensível a seu estado de perdição e recebe a sentença de morte. Reconhece estar “morto, conquanto viva”: morto para Deus e para todas as coisas de Deus, não tendo mais força para praticar as ações de um cristão vivo do que o corpo morto tem-na para cumprir as
funções do homem vivo.
10. E ainda mais certo é que o morto em pecados não tem os “sentidos exercitados para discernir espiritualmente o bem e o mal”. “Tendo olhos ele não vê; tendo ouvidos, não ouve”. Não “prova e vê que o Senhor é benigno”. Ele “jamais viu a Deus”, nem “ouviu sua voz”, nem tocou o Verbo da vida”. Em vão ressoa em torno o nome de Jesus, “como ungüento derramado e todo seu vestuário três calando mirra, aloés e cássia”: a alma que dorme o sono da morte não tem percepção de nenhuma coisa dessa espécie. Seu coração “perdeu o sentimento” e nada compreende desses fatos.
11. Desprovido, assim, de senso espiritual, não retendo o conhecimento espiritual, o homem natural não recebe as coisas do Espírito de Deus; e tão longe está de as aceitar, que aquilo que se discerne espiritualmente lhe soa como loucura. Não contente de ser profundamente ignorante das coisas espirituais, ele nega mesmo a existência delas. A própria sensibilidade espiritual lhe parece ser a loucura das loucuras. “Como— pergunta ele —podem ser essas coisas? Como pode algum homem saber que está vivo para Deus?” Do mesmo modo que sabes que teu corpo está agora vivo. A fé é a vida da alma; se tu tens esta vida palpitante em ti, não tens necessidade de sinais para evidenciá-la a ti mesmo, pois que a ελεγχος πνεύματος, aquela divina consciência, testifica de Deus, o que é mais do que dez milhares de testemunhos humanos— e de mais valia que todos eles.
12. Se o Espírito não testifica, no presente, com teu espírito, seres filho de Deus, que Ele te convença, a ti, pobre pecador ainda não despertado, pela demonstração de seu poder, de que tu és filho do diabo! Oh! Se produzissem agora “um rumor e um estremecimento”, e “os ossos se reunissem, achegando-se cada osso a seu osso!” Então, “Vinde dos quatro ventos, ó Sopro! E soprai estes despojos para que revivam!” E não endureçais vossos corações, resistindo ao Santo Espírito, que agora, vem convencer-vos de pecado, “porque não credes no nome do Unigênito Filho de Deus”!

II

1. Assim, “desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos”. Deus agora te chama pela minha boca e ordena que conheças por ti mesmo, tu, espírito decaído, teu verdadeiro estado e a coisa única que te importa sobre a terra. “Que esperas tu, ó adormecido? Levanta-te! Invoca a teu Deus, para que teu Deus atente para ti e não pereças.” Uma tempestade brava se forma por cima de ti— e tu estás assentado nasprofundezas da perdição, no abismo dos juízos de Deus! Se queres escapar a esses perigos, arranca-te do meio deles. “Julga-te a ti mesmo e não serás julgado pelo Senhor”.
2. Desperta, desperta! Levanta-te neste momento, para que não aconteça teres de “beber, pela mão do
Senhor, a taça de seu furor”. Move-te ao encontro do Senhor, para que o Senhor, tua justiça, te possa
salvar! “Levanta-te do pó”. Enfim, que o terremoto da tempestade de Deus te abale. Desperta, e clama com o tremor do carcereiro: “Que devo fazer para ser salvo?” E não descanses nunca até creres no Senhor Jesus com uma fé que é dom da parte dele, pela operação do Espírito.
3. Se a qualquer de vós, mais do que a outro, falo, é a ti, que pensas nada ter com esta exortação, que particularmente me dirijo. “Tenho para ti uma mensagem de Deus”. Em seu nome eu te conjuro a “fugires da ira vindoura”. Vê, alma ímpia, tua imagem no condenado Pedro, assentado na masmorra escura, entre soldados, ligado com duas cadeias, sentinelas postadas em frente à porta, guardando a prisão. A noite vai muito alta, a manhã se aproxima, quando serás levado à execução. E, em tais circunstâncias mortais, tu dormes, dormes profundamente nos braços do diabo, à borda do abismo, nas fauces da perdição eterna!
4. Que o anjo do Senhor desça sobre ti e a luz resplandeça em tua prisão! E possas tu sentir a caricia da mão poderosa erguendo-te a segredar: “Levanta-te depressa, cinge-te, calça tuas sandálias, toma teus vestidos e segue-me”.
5. Desperta, espírito eterno, de teu sonho de felicidade terrena! Não te criou Deus para si mesmo? Logo, não podes encontrar repouso até que nele descanses. Volta, viandante! Voa para tua arca! Este não é o teu lar. Não penses em construir tabernáculos aqui. Não és senão um peregrino sobre a terra, a criatura de um dia, em trânsito para um destino imutável. Apressa-te! A eternidade está próxima. A eternidade depende deste momento— uma eternidade feliz ou uma eternidade de miséria.
6. Em que estado se acha tua alma? Se Deus, enquanto estou falando, ta exigisse, estarias pronto a te encontrares com a morte e com o juízo? Podes permanecer à sua vista, que é a de “olhos demasiadamente puros para verem a iniqüidade?” Estás pronto “a seres participante da herança dos santos em luz?” Combateste “o bom combate e guardaste a fé”? Tomaste posse da única cosa que é necessária? Recobraste a imagem de Deus, em justiça e verdadeira santidade? Despojaste-te do homem velho, para te revestires do novo homem? Estás unido a Cristo?
7. Tens óleo em tua lâmpada, graça no coração? Amas “ao senhor teu Deus de todo teu coração, e de toda tua mente, e de toda tua alma, e de todas as tuas forças?” Há em ti aquela mente que havia também em Cristo Jesus? És na verdade cristão, isto é, uma nova criatura? O que era velho passou e agora se fizeram novas todas as coisas?
8. “És participante da natureza divina?” Não sabes que “Cristo está em ti, a não ser que sejas reprovado?” Não sabes que Deus “habita em ti e tu em Deus, pelo Espírito que ele te concedeu”? Não sabes que “teu corpo é templo do Espírito Santo, que tu tens mediante comunicação da parte de Deus?” Tens o testemunho em ti mesmo— penhor de tua herança? “Recebeste o Espírito Santo” ou te surpreendes com a pergunta, nem sabendo “sequer que haja um Espírito Santo”?
9. Se te ofendes, estejas descansado: tu nem és cristão, nem desejas sê-lo. Até mesmo tuas orações se volvem em pecado, e tens solenemente zombado de Deus neste dia, suplicando a inspiração de seu Espírito Santo, quando nem crês que haja uma tal coisa a ser comunicada!
10. Sim, firmado na autoridade da palavra de Deus e de nossa Igreja, repito a pergunta: “Recebeste o Espírito Santo?” Se não o recebeste, ainda não és cristão, porque— cristão é o homem “ungido com o Espírito Santo e com poder”. Não te fizeste ainda participante da religião pura e imaculada. Sabes que religião é esta? É a participação da natureza divina; a vida de Deus na alma humana; Cristo formado no coração; “Cristo em ti, a esperança da glória”; felicidade e santidade; o céu começando na terra; “o Reino de Deus em ti”, consistindo, não em comida, nem em bebida, nem em coisas materiais, mas em “justiça, e paz, e gozo no Espírito Santo”; um reino eterno estabelecido em tua alma; a “paz de Deus, que excede a toda compreensão”; um “gozo indizível e cheio de glória”.
11. Sabes que “em Jesus Cristo, nem a circuncisão vale corsa alguma, mas a fé que opera por amor”, mas
o ser uma nova criatura? Sentes necessidade de mudança interior, de nascimento espiritual, de vida que tome o lugar da morte, —da santidade? Estás profundamente convencido de que sem esta ninguém verá a Deus? Estás trabalhando por alcançá-la, “usando de toda diligência para fazer certa tua vocação e eleição”, “operando tua salvação com temor e tremor”, e “agonizando por entrar pela porta estreita?” Estás ansioso acerca de tua alma? E podes dizer ao Escrutador de corações: “Tu, ó Deus, és o que eu esperava desde muito tempo! Senhor tu sabes todas as coisas! Tu sabes que eu quero amar-te”!
12. Esperas ser salvo; mas que razões tens a dar da esperança que há em ti? Será porque não causaste prejuízo, ou porque fizeste grande cópia do bem, ou porque não és como os demais homens, mas sábio, ou erudito, ou honesto e moralmente bom, estimado do povo e de reputação ilibada? Ai! A soma de tudo isso jamais te levará a Deus. A sua vista isso é tão vão como a própria vaidade. Não conheces a Jesus Cristo, a quem Deus enviou? Não te ensinou ele que “pela graça sois salvos pela fé; e isto não vem de vós: é dom de Deus; não vem das obras, para que nenhum homem se glorie?” Como fundamento de toda tua esperança, não recebeste a palavra fiel, segundo a qual “Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores?” Não compreendeste o que significa: “Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento; não fui enviado senão à procura da ovelha perdida?” Estava tu (o que ouve, entenda), perdido, morto, condenado em outro tempo? Não reconheceste teu desamparo, não sentiste tuas misérias? És “pobre de espírito”, clamando por Deus e recusando todo conforto? És o pródigo que “cai em si mesmo”, ficando bem contente de ser daí por diante considerado “fora de si” por aqueles que ainda se alimentam das bolotas que ele deixou? Desejas viver piamente em Cristo Jesus, estando por esta causa sofrendo perseguição? Dizem os homens falsamente toda sorte de mal contra ti, por causa do Filho do Homem?
13. Que, através de todo este interrogatório, ouças a voz que desperta o morto e sinta o martelar da Palavra que despedaça as rochas! “Se ouvirdes sua voz neste dia, que se chama hoje, não endureçais osvossos corações”. Agora, “desperta, tu que dormes” na inconsciência da morte espiritual, para que não durmas no tormento da morte eterna! Reconhece teu estado de perdição e “levanta-te da morte”. Deixa teus velhos companheiros no pecado e na morte. Segue a Jesus, e “deixa que os mortos enterrem os seus mortos”. “Salva-te desta geração perversa”. “Sai do rio deles e separa-te, e não toques as coisas impuras, e o Senhor te recebera”. “Cristo te alumiará”.

III

1. Chego a ponto de explana, finalmente, esta promessa. E quão encorajadora é a consideração de que, quem quer que sejas que obedeças à chamada de Deus, não terás buscado em vão a sua face! Se tu agora “despertas e te levantas da morte”, ele correrá a “te alumiar”. “O Senhor te dará graça e glória”: a luz da sua graça aqui e a luz da sua glória quando receberes a coroa imarcescível. “Tua luz romperá como a aurora e tuas trevas serão como o meio-dia.” “Deus, que faz a luz brilhar em meio das trevas, luzirá em teu coração, para dar a conhecer a glória de Deus na face de Jesus Cristo.” “Neles o temor do Senhor fará levantar-se o Sol da Justiça, trazendo a salvação em suas asas.” Naquele dia a ti se te dirá: “Levanta-te, brilha; porque tua luz vem e a glória do Senhor se levanta sobre ti”. Porque Cristo revelar-se-á em ti: e ele é a verdadeira Luz.
2. Deus, que é luz, dar-se-á a si mesmo a todo pecador que desperte e por ele suspire: serás então um templo do Deus vivo; Cristo “habitará em teu coração pela fé”. “Arraigado e fundado no amor, estarás apto a compreender, com todos os santos, qual seja o comprimento, e largura, e profundidade: e altura do amor de Cristo, amor que excede a toda compreensão”.
3. Vede vossa vocação, irmãos. Somos chamados a ser “habitação de Deus mediante seu Espírito”; e, pelo seu Espírito habitamos em nós, tornamo-nos capazes de ser santos desde agora e participantes da herança dos santos em luz. Como são majestosamente vastas as promessas feitas a nós, e já no presente em nós cumpridas, em nós, os que cremos! Porque pela fé “recebemos, não o espírito do mundo, mas o Espírito de Deus”— a súmula de todas as promessas— “para que possais conhecer as coisas que vos são dadas livremente ppr Deus”.
4. O Espírito de Cristo é o grande dom que, em várias ocasiões e de diversas maneiras, Deus prometeu ao homem e efetivamente o tem comunicado, a partir do tempo da glorificação do mesmo Cristo. Essas promessas, feitas antes aos pais, Deus as cumpre deste modo: “Porei meu Espírito dentro de vós e vos farei andar em meus estatutos”. (Ez 26.27). “Derramarei água sobre o sedento e torrentes sobre o terreno árido: derramarei meu Espírito sobre tua semente e minha bênção sobre tua descendência”. (Is 44.3).
5. Todos vós podeis ser testemunhas vivas destas coisas —da remissão dos pecados e do dom do Espírito Santo: “Se podes crer, todas as coisas são possíveis ao que crê”. “Qual dentre vós é o que teme ao Senhor, e ainda anda em trevas e não tem luz”? Pergunto-te, em nome de Jesus: “Crês que seu braço não se retraiu de todo? Crês que ele ainda é poderoso para salvar, sendo o mesmo ontem, hoje e para sempre? Crês que ele tem poder, sobre a terra, de perdoar pecados”? “Filho, tem bom ânimo; teus pecados são-te perdoados”. Deus, por amor de Cristo, te perdoou. Recebe isto, “não como palavra humana; mas, certamente, como Palavra de Deus, o que na realidade é”, e serás justificado livremente mediante a fé; serás também santificado pela fé que há em Jesus, e sobre ti será aposto o selo divino, em testemunho de que “Deus nos deu a vida eterna, e que esta vida está em seu Filho”.
6. Irmãos, deixai que vos fale livremente e sofrei a palavra desta exortação, embora partindo de um dos últimos na hierarquia da Igreja. Vossa consciência vos testifica, no Santo Espírito, que essas coisas são assim, se é que já provastes que o Senhor é benigno. “Esta é a vida eterna: conhecer o único e verdadeiro Deus e a Jesus Cristo, a quem ele enviou”. Este conhecimento experimental, e só este conhecimento é o verdadeiro cristianismo. Quem recebeu o Espírito Santo é cristão; quem não o recebeu não é cristão. Não é possível recebê-lo e depois disto ainda não o conhecer. “Porque naquele dia (quando ele vier, diz o Senhor), conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós”. Este é aquele “Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita em vós e estará em vós”. (Jo 14.17).
7. O mundo não pode recebê-lo, mas, ao revés, contendendo e blasfemando, absolutamente rejeita a Promessa do Pai. Mas todo espírito que o não confessa não é de Deus. Sim, “este é o espírito do Anticristo, acerca do qual tendes ouvido que virá ao mundo, e já agora está no mundo”. Quem quer que negue a inspiração do Espírito Santo, ou negue que a comunicação do Espírito de Deus seja o privilégio comum de todos os crentes, a bênção do Evangelho, o dom indizível, a promessa universal, o critério pelo qual se mede o real cristão, — é o Anticristo.
8. De nada lhes aproveita o dizer: “Não negamos a assistência do Espírito de Deus; mas apenas essa inspiração, arecepção do Espírito Santo de maneira sensível. É somente a sensação do Espírito, o ser movido pelo Espírito oucheio dele, que negamos ter qualquer fundamento em sólida religião”. Mas, somente com negardes isto, negais toda a Escritura, toda a verdade, toda a promessa e o testemunho de Deus.
9. Nossa querida Igreja nada conhece dessa distinção diabólica, mas, ao contrário, claramente, fala do“sentir o Espírito de Cristo” ; de ser alguém “movido pelo Espírito Santo” ; e conhecer e “sentir que não há outro nome senão o de Jesus,” , pelo qual possamos receber vida e Salvação. Ela a todos nos ensina a “pedir a inspiração do Espírito Santo” ; sim, para que possamos “encher-nos do Espírito Santo” . Além disto, ensina que todo presbítero eleito dentre seus membros “recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos”, Assim, negar qualquer dessas verdades é, com efeito, renunciar à Igreja da Inglaterra e a toda Revelação cristã.
10. A “Sabedoria de Deus” sempre foi tida pelos homens como “loucura”. Nada de admirável há, portanto, no fato de o grande mistério do Evangelho estar agora “oculto aos sábios e entendidos”, exatamente como o estivera nos tempos antigos; nada de admirável que o Evangelho seja hoje quase universalmente negado, ridicularizado, desacreditado como simples delírio, sendo estigmatizados com os qualificativos de loucos e fanáticos todos os que ainda ousam confessá-lo. Esta é a “decadência” que deveria vir; a apostasia geral dos homens de todas as condições e categorias, que vemos agora avassalando a terra. “Percorre abaixo e acima as ruas de Jerusalém e vê se achas um homem”, um homem que ame ao Senhor seu Deus de todo seu coração e o sirva com todas as suas forças. Como nossa terra geme, (não olhemos para trás! Debaixo do transbordamento da iniqüidade! Quanta vilania de toda espécie se comete a cada passo e, o que mais é, com impunidade, por aqueles que pecam ostensivamente, gloriando-se de sua ignomínia! Quem pode contar os juramentos, as maldições, as profanações, as blasfêmias; a mentira, a calúnia, a maledicência; as quebras do domingo, a glutonaria, a bebedice, a vingança; a prostituição, os adultérios e várias impurezas; as fraudes, a injustiça, a opressão, a extorsão,
que cobrem nossa terra, submergindo-a como num dilúvio?
11. Mesmo entre os que se têm guardado isentos das abominações mais grosseiras, quanta ira e orgulho, quanta preguiça e egoísmo, quanta moleza e efeminação, quanta luxúria e indulgência, quanta cobiça e ambição, quanta sede de louvor, quanto amor ao mundo, quanto receio do homem não lhes jazem no intimo! Ao mesmo tempo, quão pouco há de verdadeira religião! Porque, onde está o que ama a Deus ou ao próximo, na medida do mandamento que nos deu o Senhor? De um lado estão os que nem chegam a ter a forma da piedade; de outro lado estão os que possuem apenas a forma: ali são os sepulcros abertos; aqui, os sepulcros branqueados. De modo que em qualquer ato, onde quer que se forme algum ajuntamento de povo (temo que o público de nossas igrejas não faça exceção!) facilmente se pode perceber que de uma parte estão os Saduceus e de outra os Fariseus: uns dando tão escassa importância à religião, como se não houvesse “ressurreição, nem anjos, nem espírito”; e os outros dela fazendo simplesforma de vida, um jogo estúpido de cerimônias externas, sem verdadeira fé, nem amor de Deus, nem gozo
no Espírito Santo!
12. Prouvera a Deus que nos excetuássemos, nós, os que nos encontramos neste lugar! “Irmãos, o desejo de meu coração e minha oração a Deus, em vosso beneficio, é que sejais salvos” dessa onda de impiedade, e que suas vagas orgulhosas se possam deter aqui. Entretanto, está, na verdade, acontecendo isto? Deus e nossa própria consciência sabem que esta não é a realidade: Não vos tendes guardado puros. Corruptos também o somos nós e abomináveis— e poucos são os que têm melhor entendimento, poucos os que adoram a Deus em espírito e em verdade. Também somos “uma geração que não aplica o coração retamente, e cujo espírito não se firma solidamente em Deus”. Deus nos qualificou como “o sal da terra”; mas, “se o sal perder seu sabor, para nada mais presta, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens”.
13. E “não visitarei essas coisas, diz o Senhor? Minha alma não tomará vingança de uma nação como esta?” Sim, não sabemos quanto tempo falta para que Ele ordene à espada: “Espada, fere através desta terra!” Deus nos tem dado muito tempo para o arrependimento. Deixa-nos ele por este ano também, avisando-nos, todavia, e despertando-nos por meio do trovão. Seus juízos estão divulgados na terra — e temos toda razão de esperar o mais grave de todos, isto é, que “ele venha rapidamente a nós e remova nosso candeeiro de seu lugar, a não ser que nos arrependamos e façamos nossas primeiras obras”; a não ser que voltemos aos princípios da Reforma, à verdade e simplicidade do Evangelho. Talvez estejamos resistindo ao derradeiro esforço da graça divina para salvar-nos. Talvez estejamos quase a “encher a medida de nossas iniqüidades”, rejeitando o conselho de Deus contra nós mesmos e expulsando seus mensageiros.
14. Ó Deus, “em meio da ira, lembra-te de tuas misericórdias!”Sê glorificado em nossa emenda, e não em nossa perdição! Que “atendamos à correção e àquele que a inflige!” Agora que teus “juízos se acham divulgado-na terra”, que os habitantes do mundo “aprendam a justiça!”.
15. Meus irmãos é tempo de despertarmos do sono, antes que “soe a grande trombeta do Senhor” — e nossa terra se transforme em campo de sangue. Oh! Que vejamos rapidamente as coisas que nos possam assegurar a paz, antes que elas se ocultem a nossos olhos! “Volta-te para nós, ó bom Deus, e cesse tua ira. Ó Senhor, olha dos céus, considera e visita tua vinha”; e faze-nos conhecer “o tempo de nossa visitação”. “Ajuda-nos, ó Deus de nossa salvação, para glória de teu nome!” Oh! Liberta-nos, e sê misericordioso em face de nossos pecados, por amor de teu nome, e assim não nos afastaremos de ti. Faze-nos viver, e invocaremos o teu nome. Volta-te, Senhor Deus dos Exércitos! Mostra-nos a luz de tua face —e seremos sanados. "Agora, àquele que é capaz de fazer muito mais do que tudo quanto podemos pedir ou pensar, segundo o pode que opera em nós, a Ele seja a glória na igreja por Jesus Cristo, em todos os tempos até a consumação dos séculos. Amém!"
 John Wesley

OS SINAIS DOS TEMPOS

SERMÕES DE JOHN WESLEY
(1703 – 1791)
OS SINAIS DOS TEMPOS 
'E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?' (Mateus 16:3)
1. A passagem inteira discorre assim: 'E os fariseus e os saduceus, aproximando-se, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas Ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?' (Mateus 16:1-3)
           
2. 'Os fariseus vieram também com os saduceus'. Em geral, esses eram, completamente opostos, um ao outro: mas não é uma coisa incomum para os filhos do mundo, colocar aparte a oposição de um para com o outro, (ao menos, por um tempo), e uni-los cordialmente em oposição aos filhos de Deus. 'E tentaram'; ou seja, fizeram uma prova, se Ele realmente tinha sido enviado de Deus; 'e pediram a Ele que mostrasse os sinais dos céus'; o que eles acreditavam que nenhum falso profeta seria capaz de fazer. Não é improvável que eles tenham imaginado que isto iria convencê-los, de que Ele era realmente enviado de Deus. 'Mas Ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio'. Provavelmente, existiram mais sinais do bom e mau tempo no clima deles, do que no nosso. 'Ó, vocês, hipócritas'; fazendo declarações de amor, enquanto vocês têm inimizade em seus corações;vocês podem discernir a face do céu',  e julgar, por meio disto, como o tempo será; 'mas vocês não podem discernir os sinais dos tempos', quando Deus traz seu Primogênito para mundo?
3. Vamos inquirir mais particularmente:
  1. Primeiro, quais foram os tempos, sobre os quais nosso Senhor fala aqui; e quais foram os sinais, por meio dos quais, aqueles tempos deveriam ser distinguidos de outros? Nós podemos, então, inquirir:
  2. Em Segundo Lugar, quais são os tempos que nós temos razão para acreditar estão agora à mão; e como é que, aqueles que são chamados de cristãos, não discernem os sinais desses tempos?
I
1.  Vamos inquirir, em Primeiro Lugar: Que tempos eram aqueles, dos quais nosso Senhor está falando? É fácil responder: os tempos do Messias; os tempos ordenados, antes da fundação do mundo, em que Deus se agradou de dar seu único filho, Primogênito, para tomar nossa natureza sobre ele, e ser 'encontrado, de tal maneira, como um homem'. Para viver uma vida de tristeza e dor; e, finalmente, ser 'obediente à morte, mesmo à morte na cruz', para que 'todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna'. Este foi o importante tempo dos sinais, os quais os fariseus e saduceus não puderam discernir. Perspicazes, como eles eram em si mesmos, ainda assim,  havia um véu tão espesso sobre os corações desses homens, que eles não puderam discernir os sinais de sua chegada, embora predita, há tanto tempo. 
2. Mas quais foram esses sinais da vinda do Justo, que, há tanto tempo e tão claramente têm sido preditos, e por meio dos  quais, eles poderiam facilmente ter discernido, não tivesse o véu estado em seus corações? Eles são muitos em números; mas pode ser suficiente mencionar alguns poucos deles. Um dos primeiros é aquele apresentado nas solenes palavras faladas por Jacó, pouco antes de sua morte: (Gênesis 49:10) 'O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos'. Todos, ambos os judeus antigos e os modernos, concordam, que através de Siló, nós entenderíamos o Messias; que estava, por conseguinte, para vir, de acordo com a profecia, 'antes que o cetro', ou seja, a autoridade soberana 'partisse de Judá'. Mas, sem controvérsia, ele partiu de Judá, naquele mesmo tempo; -- um sinal infalível de que naquele mesmo tempo, Siló, ou seja, o Messias, viria.
3. Um segundo eminente sinal daqueles tempos, os tempos da vinda do Messias, nos é dado no terceiro capítulo da profecia de Malaquias: 'Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos' (Malaquias 3:1). Quão manifestamente foi isso cumprido, primeiro, pela vinda de João Batista; e, então, pelo  nosso abençoado Senhor, 'vindo, de repente, ao seu templo!'. E que sinal poderia ser mais claro para esses que consideraram imparcialmente as palavras do profeta Isaias:  (Isaías 40:3) 'Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai, no ermo, a vereda a nosso Deus'.
4. Porém, sinais ainda mais claros do que esses (se algum pode ser mais claro) foram as obras poderosas que ele realizou. Na verdade, ele mesmo declara: 'As obras que eu faço, elas me testificam'.E, para essas, ele explicitamente apela em sua resposta à pergunta de João Batista; (não proposta, como alguns têm estranhamente imaginado, de alguma dúvida que ele mesmo tivesse; mas de um desejo de confirmar seus discípulos, que possivelmente poderiam oscilar, quando seu Mestre fosse tirado do comando): ´'És tu que deverias vir', o Messias?Ou procuramos por outro?'. Não  uma mera resposta verbal poderia ter sido tão convincente, como a que eles viram com seus próprios olhos. Jesus, entretanto, referiu-se a eles para esse testemunho: 'E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho' (Mateus 11:4-5)
5. Mas como é, então, que aqueles que eram tão perspicazes em outras coisas; que podiam 'discernir a face do céu', eram tão incapazes de discernir aqueles sinais que indicavam a vinda do Messias? Eles não puderam discerni-los, não pela falta de evidência – esta era completa e clara, -- mas pela necessidade de integridade em si mesmos; porque eles eram uma 'geração má e adúltera'; porque a perversidade de seus corações espalhou uma nuvem sobre o entendimento deles. Portanto, embora do Sol da Retidão brilhasse forte, ainda assim, eles eram insensíveis a ele. Eles não estavam dispostos a serem convencidos: Assim sendo, eles permaneceram na ignorância. A luz era suficiente; mas eles fecharam seus olhos, para que não pudessem vê-la: de modo que, não houve desculpa, até que a vingança veio ao extremo sobre eles.
II
1. Nós vamos, em Segundo lugar, considerar quais são os tempos que nós temos razão para acreditar, estão agora à mão? E como é que todos aqueles que são chamados cristãos não conseguem discernir os sinais desses tempos? 
Os tempos que nós temos razão para acreditar que estejam à mão (se eles ainda não começaram) são os que muitos homens devotos denominaram de o tempo da 'glória dos últimos dias'; --- significando o tempo em que Deus iria gloriosamente dispor seu poder e amor, no cumprimento de sua graciosa promessa, para que 'o conhecimento do Senhor possa cobrir a terra, como as águas cobrem o mar'.
2. 'Mas existem, na Inglaterra, ou em qualquer parte do mundo, alguns sinais dos tempos se aproximando?'.Não faz muitos anos, que uma pessoa de considerável cultura, tanto quanto eminência na igreja (então, bispo de Londres), em sua carta circular à sua diocese, fez essa observação: 'Eu não posso imaginar o que as pessoas querem dizer, falando de uma grande obra de Deus nesse tempo. Eu não vejo qualquer obra de Deus agora, mais do que tem sido, em qualquer outro tempo!'. Eu creio: Eu creio que aquele grande homem não viu qualquer obra extraordinária de Deus. Nem ele, nem a generalidade dos cristãos, assim chamados, viram alguns sinais do dia gloriosos que se aproxima. Mas como isto deve ser considerado? Como é que aqueles que podem agora 'discernir a face do céu', que não são apenas grandes filósofos, mas grandes homens de Deus, tão eminentes quanto os saduceus; sim, quanto os fariseus sempre foram, não discernem os sinais daqueles tempos gloriosos, que, se não começaram, estão quase à porta?
3. Nós compreendemos que, de fato, em todas as épocas da igreja, 'o reino de Deus não veio com contemplação',com esplendor e pompa, ou com algumas das circunstâncias exteriores, que usualmente atendem aos reinos desse mundo. Nós compreendemos que esse 'reino de Deus está dentro de nós'; e que, conseqüentemente, quando ele começa, tanto em um indivíduo, quanto em uma nação, ele 'é como a semente do grão de mostarda',  que, primeiro, 'é a menor das sementes', mas, não obstante, gradualmente aumenta, até que se 'torna uma árvore grande'.  Ou, para usar de outra comparação de nosso Senhor, em(Mateus 13:33) 'O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado'.
4. Mas, não pode ser perguntado, 'Existem alguns sinais agora, de que o dia do poder de Deus esteja se aproximando?'. Eu apelo a toda pessoa lúcida e sem preconceito, se nós não podemos, nesse momento, discernir todos esses sinais, (entendendo as palavras em um sentido espiritual), aos quais nosso Senhor se referiu aos discípulos de João?
'Os cegos recebem o sinal deles': Aqueles que eram cegos de nascença, incapazes de verem seus próprios estados deploráveis, e muito mais de verem a Deus, e o remédio que Ele preparou para eles no Filho do Seu amor, agora vêem a si mesmos; sim, e vêem 'a luz da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'. Os olhos do entendimento deles, estando agora abertos, eles vêm todas as coisas claramente. --
'Os surdos ouvem': Aqueles que eram antes extremamente surdos para todos os chamados exteriores e interiores de Deus, agora ouvem; não apenas seus chamados providenciais, mas também os sussurros de Sua graça. –
'Os coxos andam: Aqueles que nunca antes se ergueram da terra, ou deram um passo, em direção aos céus, agora caminham em todos os caminhos de Deus: sim; 'correndo a corrida que se coloca diante deles' --
'Os impuros são limpos': Aqueles que estavam mortalmente sujos pelo pecado, que eles trouxeram consigo para o mundo, e que nenhuma façanha do homem pode curar, é agora limpo completamente. E certamente nunca, em qualquer época ou nação, desde os Apóstolos, essas palavras foram tão eminentemente cumpridas, 'Os pobres têm o Evangelho pregado a eles', como nesses dias. Nesses dias, a levedura do Evangelho, a fé operada pelo amor, -- santidade interior ou exterior, -- ou (para usar o termo de Paulo), 'retidão, paz e alegria no Espírito Santo',--  tem se espalhado tanto, em várias partes da Europa, particularmente, na Inglaterra, Escócia, Irlanda, nas ilhas, no norte s sul, da Geórgia, à Nova Inglaterra, e Terra Nova, que os pecadores têm se convertido verdadeiramente para Deus; completamente mudados no coração e na vida; não através de dezenas, ou centenas, mas através de milhares, sim, miríades! O fato não pode ser negado: nós podemos indicar as pessoas, com seus nomes e lugares de moradia. E, ainda assim, os homens sábios do mundo, os homens de eminência, os homens de aprendizado e renome, 'não podem imaginar o que nós queremos dizer, por falarmos de alguma obra extraordinária de Deus!'. Eles não podem discernir os sinais desses tempos! Eles não podem ver sinal algum, afinal, de Deus se levantando, para manter sua própria causa, e estabelecer seu reino sobre a terra!
5. Mas como isto pode ser levado em conta? Como é que eles não podem discernir os sinais desses tempos? Nós podemos considerar a vontade de discernimento deles sobre o mesmo princípio que nós consideramos aquele dos fariseus e saduceus; ou seja, que eles são, igualmente, o que aqueles eram, uma 'geração adúltera e pecadora'. Se os olhos deles fossem puros, todo o corpo deles seria cheio de luz: mas supondo-se que os olhos deles sejam maus, todo o seu corpo deverá ser cheio de escuridão. Todo temperamento mau escurece a alma; toda paixão má anuvia o entendimento. Como, então, podemos esperar que, os que estão cheios de toda paixão desordenada, e escravos de todo temperamento pecaminoso, sejam capazes de discernir os sinais dos tempos?
Mas este é realmente o caso. Eles estão cheios de orgulho: Eles pensam em si mesmos, muito mais além do que deveriam pensar. Eles são vãos: Eles 'buscam a honra um do outro, e não a honra que vem de Deus apenas'. Eles afagam o ódio e a malícia em seus corações: eles dão lugar à ira, à inveja e à vingança: Eles pagam o mal com o mal, e ódio com ódio. Eles não têm escrúpulos em pleitear olho por olho, dente por dente, em vez de sobrepujarem o mal com o bem. Eles 'saboreiam não as coisas que são de Deus, mas as coisas que são de homens'. Eles estabelecem suas afeições, não nas coisas acima, mas nas coisas que estão na terra. Eles 'amam a criatura mais do que o Criador'. Eles são 'amantes do prazer, mais do que amantes de Deus'. Como, então, eles deveriam discernir os sinais dos tempos? O deus desse mundo, a quem eles servem, tem cegado seus corações, e coberto suas mentes com o véu espesso da escuridão. Ai de mim! O que essas 'almas de carne e sangue' (como alguém fala) têm a ver com Deus, ou com as coisas de Deus?
6. João afirma essa mesma razão para os judeus não entenderem as coisas de Deus, ou seja, que em conseqüência de seus pecados precedentes, e de terem terrivelmente rejeitado a luz, Deus os entregou a satanás, que os cegou, sem esperança. Repetidas vezes, quando eles poderiam ter visto, eles não puderam; eles fecharam seus olhos à luz: e, agora, eles não podem ver, já que Deus os entregou a uma mente sem discernimento: portanto, eles não acreditaram, pelo que Isaias disse (ou seja, por causa da razão dada naquele dizer de Isaias) 'Ele tem cegado seus olhos, e endurecido seus corações de modo que eles não podem ver com seus olhos, nem entender com seus corações, e serem convertidos, e eu possa curá-los'. (Isaías 44:18) – 'Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus corações para que não entendam'. O significado claro é que Deus não fez isto através de seu próprio poder imediato – seria uma blasfêmia vulgar dizer que Deus, nesse sentido, endurece algum homem; mas seu Espírito não mais se empenha com eles, e, então, Satanás os endurece efetivamente.
7. E, como foi com eles, nos tempos antigos, assim é, com a presente geração. Milhares daqueles que carregam o nome de Cristo, estão agora entregues a uma mente sem discernimento. O deus do mundo tem cegado tanto seus olhos, que a luz não pode brilhar sobre eles; de modo que eles não podem discernir os sinais dos tempos, não mais do que os fariseus e saduceus puderam no passado. Um exemplo maravilhoso dessa cegueira espiritual, dessa total inabilidade de discernir os sinais dos tempos, mencionados nas Escrituras, nos é dado no mesmo trabalho célebre de um recente escritor eminente, que supõe que a Nova Jerusalém desceu dos céus, quando Constantino, o Grande, chamou a si mesmo de cristão. Eu digo, chamou a si mesmo de cristão; porque eu não me atrevo a afirmar que ele foi um; não mais do que Peter, o Grande. Eu não posso deixar de acreditar, que ele teria chegado perto disto, se tivesse dito que foi no tempo, quando uma nuvem enorme de enxofre infernal e fumaça saiu do abismo sem fim! Porque, certamente, nunca houve um tempo, em que satanás teve tão fatal vantagem sobre a Igreja de Cristo, quando tal inundação de ricos, honrados e poderosos irrompeu, particularmente, no Clero!
8. Pela mesma regra, quais sinais esse escritor teria esperado da conversa similar dos pagãos? Ele teria, sem dúvida, esperado um herói, parecido com Charles da Suécia, ou Frederico da Prússia, para levar fogo, espada e Cristianismo, através de todas as nações imediatamente! E não pode ser negado, que, desde os tempos de Constantino, muitas nações têm sido convertidas dessa maneira. Mas pode ser dito, concernente a tais conversas como essas, que: 'O Reino dos céus não se aproxima com cautela?'. Certamente, todos podemos observar um guerreiro atravessando a terra, no comando de cinqüenta a sessenta mil homens! Mas é este o caminho, para se espalhar o Cristianismo, que o autor dele, o Príncipe da Paz, tem escolhido? Não. Não é dessa maneira, que a semente de um grão de mostarda se transforma numa grande árvore. Não é assim que um pouco de fermento levada toda a farinha. Antes, ele se espalha devagar, mais e mais, até que tudo esteja levedado. Nós podemos formar um julgamento do que irá acontecer, daqui a diante, através do que já temos presenciado. E este é o caminho, no qual, a verdadeira religião cristã, a fé que é operada pelo amor, tem sido espalhada, particularmente, através da Grã-Bretanha, e suas dependências, por meio século. 
9. Da mesma maneira, ela continua a se espalhar, no momento presente, como facilmente pode parecer para todos aqueles cujos olhos estão cegos. Todos esses que experimentam, em seus corações, o poder de Deus, na salvação, irão, prontamente, perceber como a mesma religião que eles desfrutam, é ainda espalhada de coração para coração. Eles reconhecem a mesma graça de Deus, fortemente e  suavemente, operando de todos os lados; e regozijam-se de encontrar um ou outro pecador, primeiro inquirindo, 'O que devo fazer para ser salvo?', – e, então, testificando,'Minha alma exalta o Senhor, e meu espírito regozija-se em Deus, meu Salvador'. Sobre uma inquisição sincera e clara, eles se certificam, mais e mais, não apenas daqueles que tinham alguma forma de religião, mas daqueles que não tinham forma, afinal, e que eram pecadores dissolutos e abandonados, agora, inteiramente mudados, verdadeiramente temendo a Deus, e operando retidão. Eles observam, mais e mais, que, até mesmo esses pobres homens proscritos, estão mudados, interiormente e exteriormente; amando a Deus e seu próximo; vivendo na prática da justiça, misericórdia e verdade uniforme; e, quando têm tempo, fazendo o bem a todos os homens; tranqüilos e felizes em suas vidas, e triunfantes na morte.
10. Que desculpa, então, aquele que acredita que as Escrituras sejam a Palavra de Deus, tem para não discernir os sinais desses tempos, como preparatório para o chamado geral dos pagãos?  O que Deus poderia ter feito, que ele ainda não fez, para convencer vocês de que o dia está chegando, que o tempo está à mão, quando Ele irá cumprir Suas gloriosas promessas; quando Ele se erguerá para manter sua própria causa, e estabelecer seu reino sobre toda a terra? O que, realmente, a menos que ele tivesse forçado vocês a acreditarem? E isto ele não faria, sem destruir a natureza que Ele deu a vocês: Já que Ele fez de vocês agentes livres, tendo um poder interior de autodeterminação, que é essencial para a natureza de si mesmos. E Ele dialoga com vocês, como agentes livres, do começo ao fim. Como tais, vocês podem fechar ou abrir seus olhos, como quiserem. Vocês têm suficiente luz brilhando ao redor de vocês; ainda assim, vocês não precisam vê-la, a menos que queiram. Mas estejam certos de que Deus não está feliz com o fato de vocês fecharem seus olhos, e dizerem, 'Eu não posso ver'. Eu aconselho vocês a fazerem um exame imparcial sobre todo o assunto. Depois de um claro questionamento sobre o problema, considerem profundamente,'O que Deus tem feito?'. 'Quem poderá ver tal coisa? Quem poderá ouvir tal coisa?'. Terá a nação, como ela está, se 'formado em um só dia'? Quão rápido, assim como, quão profundo, e quão extensivo trabalho tem sido forjado na presente época! E, certamente, 'não pela força, nem pelo poder, mas através do Espírito do Senhor'.Porque quão extremamente inadequados foram os meios! Quão insuficientes foram os instrumentos para operar tal efeito; -- pelo menos, aqueles que agradou a Deus fazer uso nos domínios britânicos na América! Porém, quão inauspiciosos instrumentos Deus tem se agradado de operar desde o início! 'Alguns poucos obstinados', disse o bispo de Londres, 'o que eles podem pretender fazer?'. Eles pretenderam ser na mão de Deus, o que a caneta é na mão de um homem. Eles pretenderam, (e assim o fazem até hoje) fazer a obra para a qual eles foram enviados; fazer justo o que agrada a Deus. E, se é do Seu prazer, derrubar as muralhas de Jericó, as fortalezas de satanás, não através dos mecanismos da guerra, mas através do sopro de chifres de carneiros, quem deverá dizer junto a Ele,'O que tu fazes!'.
11. Nesse meio tempo, 'abençoados sejam seus olhos, porque eles vêm: muitos profetas e homens retos têm desejado ver as coisas que vocês vêem, e não têm visto, e ouvir as coisas que vocês ouvem, e não têm ouvido'.Vocês vêem e reconhecem o dia de sua visitação; tal visitação, como nunca vocês, nem seus antepassados conheceram. Vocês podem bem dizer, 'Este é o dia que o Senhor fez; Ele irá se regozijar e estar satisfeito nele'.Vocês vêem a alvorada daquele dia glorioso, do qual todos os profetas têm falado. E quão vocês deverão mais efetivamente melhorar esse dia de sua visitação?
12. O primeiro ponto é ver que vocês mesmos não receberam a bênção de Deus em vão. Comecem pela raiz, se vocês ainda não o fizeram. Agora se arrependam e acreditem no Evangelho! Se vocês têm acreditado, 'cuidem, para que não percam o que têm feito, mas para que receberam a recompensa completa! Estimulem o dom de Deus que está em vocês. Caminhem na luz, como Ele está na luz. E, enquanto vocês 'seguram firmes o que vocês obtiveram, sigam para a perfeição'. Sim, e quando vocês 'forem feitos perfeitos no amor', não obstante,'esquecendo-se deles que estão atrás, pressionem para a marca,  para o prêmio do alto chamado de Deus em Jesus Cristo'.
13. No próximo passo, cabe a vocês auxiliarem o seu próximo. 'Permitam que a luz de vocês brilhe, de tal maneira diante de homens, que eles possam ver suas boas obras, e possam glorificar seu Pai que está nos céus'. Quando tiverem tempo, façam o bem a todos os homens; mas, especialmente, àqueles que são familiarizados da fé. Proclamem as boas novas da salvação, prontas a serem reveladas, não apenas para aqueles de sua própria casa; não apenas para os seus parentes, amigos, e conhecidos, mas para todos que Deus, providencialmente, entrega em suas mãos! 'Sim', aqueles que já sabem em quem eles têm crido, 'que são o sal da terra'. Trabalhem para temperarem, com o conhecimento e amor de Deus, todos com os quais têm algum intercurso! 'Vocês são como a cidade, situada encima de uma colina'; vocês não podem, e não devem ser ocultados. Vocês são a luz do mundo: os homens não acendem a candeia e a colocam debaixo do alqueire' (Mateus 5:15); quanto menos, o Deus de toda sabedoria! Não; que ela brilhe para todos que estão na casa; todos que são testemunhas de sua vida e conversa. Acima de tudo, continuem em oração constante, por si mesmos, por toda a igreja de Deus, e por todos os filhos dos homens, para que eles possam se lembrar de si mesmos, e voltar para nosso Deus; para que eles possam igualmente alegrar-se no Evangelho, abençoando a terra, e a glória de Deus no céu!
[Editado por Amy Johnston, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]
 John Wesley

O GRANDE JULGAMENTO

SERMÕES DE JOHN WESLEY
(1703 – 1791)
O GRANDE JULGAMENTO 
            Pregado nas sessões de tribunal, diante do Honorável Sir Edward Clive, Cavalheiro, um dos Juízes da Corte de Apelações Comuns de Sua Majestade, na Igreja de St. Paul, Bedford, na sexta-feira, 10 de Março de 1758; publicado na petição de William Cole, Escudeiro, Alto Xerife do condado e outros.
"Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo".  (Romanos 14:10)
1. Quantas circunstâncias concorrem para aumentar a enormidade da presente solenidade! – O concurso geral de pessoas, de todas as idades, sexo, posições e condições de vida, desejosamente, ou não, reunidas, não apenas das partes próximas, mas das partes distantes; criminosos, rapidamente trazidos, e não tenho como escapar; oficiais, esperando em seus vários postos, para executar as ordens que nós tão altamente reverenciamos e honramos. A ocasião igualmente desta assembléia acrescenta não uma solenidade pequena dela: ouvir e determinar causas de todos os tipos, algumas das quais são da mais importante natureza; das quais dependem não menos do que a vida ou a morte; a morte que revela a face da eternidade! Foi, sem dúvida, com o objetivo de aumentar o sério sentido dessas coisas, e não, nas mentes do comum, apenas, que a sabedoria de nossos antepassados não desdenharam indicar, até mesmo diversas circunstâncias precisas desta solenidade. Porque esses também, pelos meios do olho e ouvido, podem mais profundamente afetar o coração: e, quando observada, nesta luz, trombetas, aduelas, vestuário, não são mais superficiais ou insignificantes, mas subservientes, neste tipo e grau para as mais valiosas finalidades da sociedade.
2. Mas, por mais terrível que esta solenidade seja, uma muito mais terrível está à mão. Uma vez que, em pouco tempo, "deveremos todos estar diante da cadeira de julgamento de Cristo". "Porque, assim como eu vivo, diz o Senhor, todo joelho se dobrará a mim, e toda língua deverá confessar a Deus". E naquele dia, "cada um dará um relato de si mesmo a Deus".
            3. Tivessem todos os homens profunda consciência disto, quão efetivamente isto garantiria os interesses da sociedade! Porque qual motivo pode ser concebido, para a prática da genuína moralidade? Para uma busca firme e virtude sólida? Um caminhar uniforme na justiça, misericórdia e verdade? O que poderia fortalecer nossas mãos, em tudo que seja bom, e nos deter de tudo que seja mau, como uma forte convicção disto: "O Juiz está à porta"; e nós brevemente estaremos diante Dele?
            4. Não pode, portanto, ser impróprio, ou inadequado para o objetivo da presente assembléia considerar: --
            I. As principais circunstâncias que precederão nosso situarmo-nos diante da cadeira de julgamento de Cristo;
            II. O próprio julgamento; e,
            III. Algumas poucas circunstâncias que se seguirão a ele.
I
            1. Em Primeiro Lugar, vamos considerar as principais circunstâncias que precederão estarmos diante da cadeira de julgamento de Cristo.
            E, primeiro, Deus irá mostrar "sinais na terra" (Atos 2:19); particularmente, Ele irá "se levantar para estremecer terrivelmente a terra". "A terra deverá balançar, de um lado para o outro, como um bêbado, e deverá ser removida como uma cabana". (Isaias 24:20). "Haverá terremotos", kata topous (não no fundo do mar apenas, mas) "em todos os lugares"; não em um apenas, ou alguns, mas em toda a parte do mundo habitado(Lucas 21:2); até mesmo, "tais como não foram vistos, desde que os homens estão sobre a terra, terremotos tão poderosos e tão grandes".  Em um desses "toda a ilha desaparecerá, e as montanhas não serão encontradas".  (Apocalipse 16:20). Neste meio tempo, todas as águas do globo terráqueo sentirão a violência dessas concussões; "o mar e as ondas rugindo" (Lucas 21:25), com tal agitação, como nunca se soube antes, desde a hora em que "as fontes do grande abismo se arrebentaram", para destruir a terra, e que, então, "ficaram fora e dentro da água".  O ar será todo temporal e tempestade, cheio de vapores negros e "pilares de fumaça".(Joel 2:30) "E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça"; ressoando, de maneira assombrosa, de pólo a pólo, e se rasgando em dez mil raios. Mas a comoção não parará na região do ar;"os poderes dos céus também deverão ser estremecidos. Haverá sinais no sol, e na luz, e nas estrelas".  (Lucas 21:25-26); as que são fixas, e as que se movem em volta da terra. "O sol se transformará em escuridão, e a lua em sangue, antes do grande e terrível dia da vinda do Senhor".  (Joel 2:31). "As estrelas recolherão seu brilho". (Joel 3:15); sim, e "cairão do céu". (Apocalipse 6:13), saindo fora de suas órbitas. E, então, ouvir-se-á o grito universal, de todas as companhias do céu, seguidas pela "voz do arcanjo", proclamando a aproximação do Filho de Deus e Homem, "e a trombeta de Deus", soando um alarme, para todos que dormem no pó da terra (I Tessalonicenses 4:16). Em conseqüência disto, todas as sepulturas se abrirão, e os corpos dos homens se erguerão. O mar também desistirá do morto que está nele (Apocalipse 20:13), e cada um deverá ressuscitar com"seu próprio corpo": sua própria em essência, embora tão mudado em suas propriedades, como nós não podemos agora conceber. "Porque este corruptível", então, "se revestirá de incorruptibilidade" (I Cro. 15:53). Sim,"morte e Hades", o mundo invisível, "entregarão o morto que está neles" (Apocalipse 20:13). De modo que todo que sempre viveu e morreu, desde que Deus criou o homem ressuscitará incorruptível e imortal.
2. Ao mesmo tempo, "O Filho do Homem enviará seus anjos", sobre toda a terra; "e eles reunirão seus eleitos dos quatro ventos, de uma extremidade a outra". (Mateus 24:31). E o próprio Senhor virá com nuvens, em sua própria glória, e a glória de seu Pai, com dez mil de seus santos, até mesmo, miríades de anjos, e deverá se sentar no trono de sua glória. "E, diante dele, se reunirão todas as nações; e separará uns dos outros, e estabelecerá a ovelha", o bom, "de seu lado direito, e os bodes", o mau, "do lado esquerdo".  (Mateus 25:31, etc.). Concernente a esta assembléia geral é que, o amado discípulo fala assim: "Eu vi o morto", todo que estavam mortos, "pequeno e grande, de pé, diante de Deus; e os livros foram abertos" (uma expressão figurativa, referindo-se plenamente à maneira de proceder entre os homens), "e o morto foi julgado, por aquelas coisas que estavam escritas nos livros, de acordo com suas obras". (Apocalipse 20:12).
II
Estas são as principais circunstâncias que estão registradas nos oráculos de Deus, como precedendo o julgamento geral. Nós, Em Segundo Lugar, consideraremos o próprio julgamento, até onde agrade a Deus revelá-lo.
1. A pessoa, através de quem Deus julgará o mundo, é seu Unigênito Filho, cujas "saídas são da eternidade"; "que é Deus sobre todos, abençoado para sempre".  Junto a Ele, sendo "o irradiador da glória de seu pai; a imagem expressa de sua pessoa".  (Hebreus 1:3); o Pai "confiou todo julgamento, porque Ele é o Filho do Homem". (João 5:22, 27); porque, embora Ele fosse "na forma de Deus, e embora não fosse roubo ser igual com Deus, ainda assim Ele se esvaziou, tomando para si a forma de um servo, sendo feito na semelhança de homens".(Filipenses 2:6-7); assim, porque "sendo encontrado na atualidade como um homem, ele se humilhou", ainda mais além, "tornando-se obediente à morte, até mesmo, a morte na cruz. Pelo que Deus tem altamente exaltado a Ele"; mesmo em sua natureza humana, e "ordenado a Ele", como Homem, a experimentar os filhos dos homens, "a ser Juiz, tanto do desperto, quanto do morto"; ambos daqueles que estarão vivos na sua vinda, e aqueles que se reuniram antes aos seus antepassados.
2. O tempo, denominado pelo profeta, "o grande e terrível dia", é usualmente, intitulado o dia do Senhor, nas Escrituras. O espaço da criação do homem sobre a terra, até o fim de todas as coisas, é o dia dos filhos dos homens; o tempo que está agora passando sobre nós é propriamente nosso dia; quando este acabar, o dia do Senhor começará. Mas quem pode dizer por quanto tempo ele continuará?  "Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia". (II Pedro 3:8).  E, desta mesma expressão, alguns dos antepassados esboçaram aquela inferência, aquele, que é comumente chamado o dia do julgamento, seria, de fato, mil anos; e parece que eles não foram além da verdade; mais do que isto: provavelmente eles não avançaram para ela. Porque, se nós considerarmos o número de pessoas que serão julgadas, e as ações que serão inquiridas nisto, não parece que mil anos serão suficientes para as transações daquele dia; de maneira que não pode ser improvável abranger diversos mil anos. Mas Deus deverá revelar isto também a seu tempo.
3. Com respeito ao lugar onde a humanidade será julgada, nós não temos relato explícito nas Escrituras. Um eminente escritor (mas não ele apenas; muitos têm sido da mesma opinião) supõe que seja na terra, onde as obras foram feitas, e pelas quais eles serão julgados; e que Deus, com este objetivo também, empregará os anjos de sua força --
Para suavizar e estender o espaço ilimitado;
E expandir uma área para toda a raça humana.
   
Mas, talvez, seja mais de acordo com o próprio relato do Senhor, de sua vinda nas nuvens, supor que será acima da terra, se não, "duas vezes uma altura planetária". E esta suposição não é pouco favorecida pelo que Paulo escreve aos Tessalonicenses: "O morto em Cristo ressuscitará, primeiro. Então, nós que permanecermos vivos, seremos arrebatados com eles nas nuvens. Para encontrarmos o Senhor no ar" (I Tessalonicenses 4:16-17). De maneira que parece mais provável que o grande trono branco será altamente exaltado acima da terra.
4. As pessoas a serem julgadas, quem pode contar, algo mais do que as gotas da chuva, ou as areias do mar? "Eu vi", diz João, "uma grande multidão que nenhum homem pode calcular, vestida com seu manto branco, e palmas em suas mãos".  Quão imenso, então, deve ser o total da multidão de todas as nações, e afins, e pessoas, e línguas, de todos que surgiram dos lombos de Adão, desde que o mundo começou, até que o tempo não mais existisse! Se nós admitirmos a suposição comum, que parece, de forma alguma, absurda de que a terra suporta, a qualquer tempo, não menos do que quatrocentos milhões de almas viventes, homens, mulheres, e crianças, o que uma congregação dessas gerações, que têm sucedido, umas às outras, por sete mil anos, deve fazer!
O mundo do grande Xerxes, em armas, o orgulhoso anfitrião de Cannae,
            Todos estão aqui; e aqui todos estão perdidos.
Os seus números avolumam-se, para serem discernidos em vão;
            Perdidos, como uma gota no alto-mar sem fim.
           
            Todo homem, toda mulher, toda crianças dos dias, que sempre respiraram o ar vida, ouvirão a voz do Filho de Deus, e voltar à vida, e aparecer diante Dele. E isto parece ser a significação natural daquela expressão: "o morto, pequeno e grande": todos universalmente; todos, sem exceção, todos de todas as idades, sexo, ou grau; todas que alguma vez viveram e morreram, ou foram submetidos a tal mudança, que será equivalente com a morte. Porque, muito tempo antes deste dia, a grandeza do espírito humano desaparece, e mergulha no nada. Até mesmo, no momento da morte, este desaparece. Quem é rico ou grande dentro da sepultura?
5. E todo homem deverá "dar um relato de suas próprias obras"; sim, um relato verdadeiro e completo de tudo que ele sempre fez, enquanto no corpo, se foi bom ou mau. Ó que cena será, então, descortinada, às vistas de anjos e homens! -- Enquanto não o mitológico Rhadamanthus [um dos três juizes do Hades, juntamente com Minos, Acacus]; mas o Senhor Deus Altíssimo, que conhece todas as coisas no céu e terra --
Sobre estes reinos lúgubres o inflexível Rhadamanthus reina;
Detecta cada vilão astuto, e o constrange
a reconhecer os crimes, por muito tempo encobertos aos olhos humanos:
Em vão! Agora tudo se apresenta na odiada luz.
Não somente todas as ações de todos os filhos dos homens serão, então, trazidas à vista, mas todas as suas palavras; uma vez que "toda palavra vã que os homens falarem, eles darão conta delas no dia do Juízo". (Mateus 12:36-37); de maneira que "pelas tuas palavras", assim como obras, "tu serás justificado; e pelas tuas palavras, tu serás condenado". Deus, então, não trará à luz toda circunstância também que acompanhou cada palavra ou ação, e se não reformou a natureza, ainda assim, diminuiu ou aumentou a bondade ou maldade deles? E quão fácil é isto para aquele que está "ao redor de nossa cama, ou ao redor de nosso caminho, e espia todos os nossos caminhos!".  Nós sabemos que "a escuridão não é trevas para ele, mas a noite brilha como o dia".
            6. Sim, Ele trará ao conhecimento, não apenas as obras ocultas da escuridão, mas os próprios pensamentos e intenções do coração. E qual a surpresa? Já que ele "sonda os desígnios, e entende todos os nossos pensamentos". "Todas as coisas são descobertas e reveladas aos olhos daquele, com quem lidamos". "Inferno e destruição estão diante dele, sem uma capa. Quanto mais os corações dos filhos dos homens!".
7. E neste dia, revelar-se-á toda obra interior de toda alma humana; todo apetite, paixão, inclinação, afeição, com as várias combinações deles, com todo temperamento e disposição que constituem todo o complexo caráter de cada indivíduo. Assim, será clara e infalivelmente visto, quem era reto, e quem não era; e em que grau toda ação, ou pessoa, ou caráter estava tanto com respeito ao bem, quanto com respeito ao mal. 
8. "Então, o Rei dirá a eles, do seu lado direito: 'Venham, vocês, abençoados de meu Pai. Porque eu estava faminto, e me deram alimento; sedento, e me deram de beber; um estranho, e me acolheram; nu, e me vestiram'". De igual maneira, todo o bem que fizeram sobre a terra será citado diante de homens e anjos; o que quer que tenham feito, tanto em palavra quanto em ação, no nome, ou por causa do nome do Senhor Jesus. Todos os seus bons desejos, intenções, pensamentos; todas as suas santas disposições, tudo será lembrado; e parecerá que, embora eles fossem desconhecidos ou esquecidos em meio aos homens, ainda assim, Deus os anotou no livro Dele. Todos os seus sofrimentos, igualmente, por causa do nome de Jesus, e do testemunho de uma boa consciência serão mostrados pelo Juiz reto, para o louvor deles; sua honra diante de santos e anjos, e o aumento desta "um peso de glória, muito mais excedente e eterno".
9. Mas seus maus feitos também (uma vez que consideramos que não existe um homem sobre a terra, que em toda sua vida, nunca pecou); esses também serão lembrados, naquele dia, e mencionados na grande congregação?  Muitos crêem que eles não serão; e perguntam: "Isto não implicaria que seus sofrimentos não estariam no fim, até mesmo, quando a vida terminou? – uma vez que eles ainda teriam tristeza, e vergonha, e embaraço para suportar".  Eles perguntam além: "Como isto pode ser reconciliado com a declaração de Deus, através do profeta, -- 'Se o pecaminoso, se voltar dos pecados que cometeu, e mantiver Meus estatutos, e fizer o que é lícito e correto; todas as transgressões que ele cometeu, não mais serão mencionadas junto a ele?' (Ezequiel 18:21-22). Como isto é consistente com a promessa que Deus fez a todos que aceitaram a aliança do evangelho: 'Eu perdoarei suas iniqüidades, e se seus pecados não mais me lembrarei?' (Jeremias 31:34)Ou, como o Apóstolo expressa: 'Serei misericordioso para com sua falta de retidão, e de seus pecados e iniqüidades eu não mais me lembrarei?'" (Hebreus 8:12)      
10. Pode ser respondido: isto é aparentemente e absolutamente necessário, para a completa ostentação da glória de Deus; para a clara e perfeita manifestação de sua sabedoria, justiça, poder e misericórdia, para com os herdeiros da salvação; para que todas as circunstâncias de suas vidas possam ser evidentes, juntamente com todos os seus temperamentos, e todos os desejos, pensamentos e intenções de seus corações: do contrário, como se tornaria aparente, da profundidade do pecado e miséria, que a graça de Deus os livrou? E, de fato, se toda a vida dos filhos dos homens não forem manifestadamente revelada, toda a contextura maravilhosa da providência divina não poderia ser manifestada; nem seríamos capazes, em milhares de instâncias, de "justificar os caminho de Deus ao homem".A menos, que as palavras de nosso Senhor fossem cumpridas em seu sentido mais extremo, sem qualquer restrição ou limitação: "Não existe coisa alguma oculta que não possa ser revelada; ou desconhecida que não possa ser conhecida" (Mateus 10:26); abundância das dispensações de Deus, sob o sol, ainda pareceria sem razão de ser. E, então, apenas quando Deus trouxe à luz todas as coisas da escuridão, foi possível ver que sábio e bom foram todos os seus caminhos; quaisquer que fossem os autores nela; que ele viu, através da grossa nuvem, e governou todas as coisas, através do sábio conselho de sua própria vontade; que nada foi deixado para a sorte ou capricho de homens, mas Deus dispôs tudo forte e docemente; forjou tudo dentro de uma corrente de justiça, misericórdia e verdade.
11. E no descobrimento das perfeições divinas, o reto regozijar-se-á com alegria inexprimível; longe de sentir alguma tristeza ou vergonha dolorosa, por alguma dessas transgressões passadas que desde então, se desfizeram como uma nuvem, lavadas pelo sangue do Cordeiro. Será abundantemente suficiente que todas as transgressões que eles cometeram não devam ser, uma vez mais mencionadas, em prejuízo deles; que seus pecados, e transgressões, e iniqüidades não devam mais ser lembrados, para a condenação deles. Este é o significado claro da promessa; e isto, todos os filhos de Deus deverão se certificar como verdade, para o conforto eterno deles.
12. Depois dos justos serem julgados, o Rei se voltará para aqueles à sua esquerda; e eles também deverão ser julgados; cada homem, de acordo com suas obras. Mas não apenas suas obras exteriores serão trazidas para o relato, mas todas as palavras pecaminosas que eles, alguma vez, falaram; sim, todos os desejos, afeições, temperamentos maus, que têm, ou tiveram um lugar em suas almas; e todos os pensamentos ou desejos maus, que alguma vez, foram nutridos em seus corações. A alegre sentença da absolvição será, então, pronunciada junto àqueles, à sua direita; e a terrível sentença da condenação, sobre aqueles à esquerda; ambos devendo permanecer fixos e imóveis, como o trono de Deus.
III
1. Nós podemos, em Terceiro Lugar, considerar algumas das circunstâncias que se seguirão ao julgamento geral. E a primeira é a execução da sentença proferida sobre o mau e sobre o bom: "Esses deverão seguir para a punição eterna, e o reto para a vida eterna". Deve-se observar, que se trata da mesma palavra que é usada, ambos no primeiro e no último caso. Segue-se que tanto a punição dura para sempre, quanto a recompensa virá também para um fim: -- Não, nunca, a menos que viesse para um fim, ou sua misericórdia e verdade falhassem. "Então, os retos brilharão, como o sol, no reino de seu Pai", "e deverão beber daqueles rios de prazer que estão à direita de Deus, sempre mais". Mas aqui toda descrição falha; toda linguagem humana falha! Apenas alguém que alcançou o terceiro céu poderá ter uma justa concepção dele. Mas, até mesmo este é um que não pode expressar o que ele tem visto: essas coisas não são possíveis do homem proferir.
            O perverso, nesse meio tempo, deverá seguir para o inferno; mesmo todas as pessoas que se esqueceram de Deus. Elas serão "punidas com a destruição eterna, da presença do Senhor, e da glória de seu poder". Elas serão "lançadas no fogo com enxofre!",originalmente "preparado para o demônio e seus anjos"; onde corroerão suas línguas, por causa da agonia e dor; amaldiçoarão a Deus e olharão para o alto. Lá os cães do inferno, -- orgulho, malícia, vingança, raiva, horror, desespero, -- as devorarão continuamente. Lá "elas não terão descanso, dia e noite, mas a fumaça do tomento delas se elevará para sempre e sempre!". Porque "o verme delas não morre, e o fogo não é extinto" (Marcos 9:48).  
2. Então, os céus se contrairão, como um pergaminho, e desaparecerão com um grande barulho: Eles "fugirão da face Daquele que se senta no trono, e não se encontrará lugar para eles". (Apocalipse 20:11). A mesma forma da passagem deles é desvendada a nós, pelo Apóstolo Pedro: "No dia do Senhor, os céus, em fogo, deverão dissolver-se-ão". (II Pedro 3:12).  Toda a bonita estrutura será destruída, por aquele elemento feroz, a conexão de todas as partes destruídas, e cada átomo se separar, um do outro. Através do mesmo processo, "a terra também, e as obras que nela existem, se queimarão" (verso 10). As obras enormes da natureza, as colinas eternas, as montanhas que desafiaram a ira do tempo, e permaneceram imóveis por muitos milhares de anos, irão sucumbir em ruína ígnea. Quanto menos as obras da inteligência, embora do tipo mais durável, os mais extremos esforços da habilidade humana – túmulos, conquistador! Tudo; tudo irá morrer, perecer, desaparecer, como um sonho quando alguém acorda.
3. De fato, alguns grandes e bons homens têm imaginado, que, da mesma forma que se requer aquele mesmo poder altíssimo para aniquilar as coisas, assim se requer para criar; falar no vazio, ou fora dele; então, nenhuma parte dele, nenhum átomo no universo, será totalmente destruída finalmente. Antes, eles supõem que a última operação do fogo, que ainda é possível observarmos, será reduzir para vidro o que, por uma força ainda menor, reduziu-se a cinzas; assim, no dia em que Deus ordenou, toda a terra, se não os materiais celestes também, sofrerão esta mudança, depois do que, o fogo terá não mais poder sobre eles. E eles acreditam isto é anunciado por aquela expressão na Revelação, feita a João: "Diante do trono havia um mar de vidro, como cristal" (Apocalipse 4:6). Nós não podemos agora, nem afirmar, nem negar isto; mas nós deveremos saber daqui por diante. 
4. Se for inquirido pelos zombadores, os filósofos precisos: "Como essas coisas podem ser? De onde virá tal imensa quantidade de fogo, de maneira a consumir os céus e todo o globo terrestre?". Nós pediríamos licença,Em Primeiro Lugar, lembrando a eles, que esta dificuldade não é peculiar ao sistema cristão. A mesma opinião quase universalmente é obtida em meios aos ateus não devotos.
Mas, Em Segundo Lugar, é fácil responder, até mesmo, da nossa leve e superficial familiaridade com as coisas naturais, que existem abundantes depósitos de fogo, prontos, e empilhados, preparados para o dia do Senhor. Quão breve, um cometa autorizado por Ele pode viajar, vindo das partes mais distantes do universo! E fosse fixar-se sobre a terra em seu retorno do sol, quando ele está algumas milhares de vezes mais quente do que a bala de canhão incandescente, quem não vê qual deveria ser a conseqüência imediata? Mas, não subindo tão alto como nos céus etéreos, os mesmos raios que "fornecem luz ao mundo", não poderiam, se comandados pelo Senhor da natureza, causar ruína e a mais extrema destruição? Ou, para ir não mais além do que o próprio globo; quem sabe que enormes reservatórios de fogo líquido existem, desde os primórdios, contidos nas entranhas da terra? Aetna, Hecla, Vesúvio, e todos os outros vulcões que causam erupções de chamas e carvões de fogo, o que eles são muitas das provas e bocas daquelas fornalhas ígneas; ao mesmo tempo, que as tantas evidências de que Deus tem pronto o recurso para cumprir Sua palavra? Sim, onde observamos, não mais do que a superfície da terra, e as coisas que nos cercam, é mais certo (como provam milhares de experimentos, além de toda possibilidade de negação) que nós mesmos, nossos corpos todos, estão cheios de fogo, assim como tudo à nossa volta. Será que não é fácil tornar este fogo etéreo, visível, até mesmo a olho nu, e produzir, por meio dele, os mesmos efeitos na matéria combustível, que são produzidos pelo fogo culinário? É preciso, então, algo mais do que Deus, para abrir aquela algema secreta, por meio da qual este agente irresistível está agora preste a descer, e se estende imóvel em cada partícula da matéria? E quão logo ele não rasgaria a moldura universal em pedaços, e envolveria tudo em uma ruína comum!
5. Existe uma circunstância mais que seguirá o julgamento, e que merece nossa séria consideração: "Nós esperamos", diz o Apóstolo, "de acordo com sua promessa, por novos céus e nova terra, em que habitará o reto" (II Pedro 3:13). A promessa se coloca na profecia de Isaías: "Observe, eu crio novos céus e nova terra; e a anterior não deverá ser mais lembrada" (Isaías 65:17); tão grande deverá ser a glória da mais recente! Isto, João observou nas visões de Deus. "Eu vi",  disse ele, "um novo céu e uma nova terra; porque o primeiro céu, e a primeira terra já se passaram". (Apocalipse 21:1); E apenas o reto habitará nela: assim sendo, ele acrescenta:"E eu ouvi uma grande voz" do terceiro "céu, dizendo, observe, o tabernáculo de Deus está com os homens, e Ele habitará com eles, e eles serão seu povo, e o próprio Deus estará com eles, e será seu Deus". (21:3). Inevitavelmente, todos serão felizes: "Deus enxugará todas as lágrimas; e não haverá mais morte, nem tristeza, nem pranto, nem haverá mais dor alguma". (21:4)"Não haverá mais maldição; mas eles verão Sua face".(21:3-4), -- e terão acesso mais próximo a Ele, e de lá, a mais sublime imagem Dele. Esta é a mais forte expressão na linguagem das Escrituras, a denotar a mais perfeita felicidade. "E Seu nome estará em suas frontes"; eles, declaradamente, se reconhecerão como propriedade de Deus, e a gloriosa natureza Dele mais visivelmente brilhará neles. "E não haverá noite lá; e não necessitarão de velas, nem luz do sol; porque o Senhor dará luz a eles; e eles reinarão para sempre e sempre".  
IV
Resta apenas aplicar as considerações precedentes a todos que estão aqui diante de Deus. E nós não somos diretamente conduzidos a assim fazer, através da presente solenidade que tão naturalmente nos aponta para aquele dia, quando o Senhor julgará o mundo na retidão? Isto, portanto, por nos fazer lembrar daquela mais terrível ocasião, pode nos fornecer muitas lições de instrução. Em algumas poucas dessas, me é permitido tocar. Possa Deus escrevê-las em todos os nossos corações!
1. Em Primeiro Lugar, quão bonita é a determinação daqueles que são enviados pela sábia e graciosa providência de Deus, no executar justiça sobre a terra, no defender o injuriado, e punir o malfeitor! Eles não são os ministros de Deus para nos fazer bem; os grandes alicerces da tranqüilidade pública, os padrões de inocência e virtude; a grande segurança de todas as nossas bênçãos temporais? E cada um desses não representa, não apenas um príncipe mundano, mas o Juiz da terra? Ele, cujo "nome está escrito em sua coxa, Rei dos reis, e Senhor dos senhores?".Ó, que todos esses filhos, do lado direito do Altíssimo, possam ser tão santos, como Ele é santo! Sábio com a sabedoria que se senta ao seu trono, como Ele, que é a Sabedoria eterna do Pai! Que não olha as pessoas, como se fossem nada; mas retribui a cada homem, de acordo com suas obras; como ele, justa inflexibilidade, e inexorabilidade, embora cheio de compaixão e misericórdia terna! Assim, eles serão terríveis, de fato, para aqueles que fazem o mal, como não carregando a espada em vão. Assim, as leis de nossa terra terão uso pleno e honra devida, e o trono de nosso rei será ainda estabelecido na retidão.
2. Vocês homens verdadeiramente honrados, aos quais Deus e o rei têm comissionado, em um grau menor, para administrarem justiça; vocês não podem ser comparados àqueles espíritos ministrantes que atenderão ao Juiz vindo nas nuvens? Que vocês possam, como eles, amar a Deus e ao homem! Que vocês possam amar a retidão, e odiar a iniqüidade! Que vocês todos, ministros, em suas diversas esferas (tal honra Deus deu também a vocês, como a eles que serão seus herdeiros da salvação, e para a glória de seu grande soberano!) possam continuar os fundadores da paz, a bênção e ornamentos de nossa região, os protetores de uma terra culpada, os anjos guardiões de todos que estão em redor de vocês!
3. Você, cujo ofício é executar o que lhe é confiado em responsabilidade, por aquele diante de quem você está; quão proximamente vocês estão preocupados em assemelhar-se àqueles que estão diante da face do Filho do homem; aqueles servos Dele que fazem de acordo com seu prazer, e ouvem atentamente a voz de suas palavras! Não importa a vocês grandemente serem tão corruptos quanto eles? Mostrarem-se à altura dos servos de Deus? Fazer justiça e misericórdia amorosa? Fazer tudo que você gostaria que eles fizessem a você? Assim, aquele grande Juiz, sob cujos olhos você se situa continuamente, diz a você também: "Bem feito, bons e fiéis servos; regozijem-se de seu Senhor!".
4. Permita-me acrescentar algumas poucas palavras a todos vocês que estão, neste presente dia, diante do Senhor. Vocês não poderiam suportar em suas mentes, durante todo o dia, que um dia mais terrível está vindo? Que grande assembléia esta! Mas o que é isto, para aquela que todo olho irá, então, ver; a grande assembléia de todos os filhos dos homens que alguma vez viveu sobre a face de toda a terra? Hoje em dia, poucos estarão na cadeira de julgamento, para serem julgados no tocante ao que foi colocado sob a responsabilidade deles; e eles estão agora restritos em prisão; talvez, algemados, até que sejam trazidos para serem julgados e sentenciados. Mas nós todos deveremos "nos sentar na cadeira de julgamento de Cristo"; eu que falo, e vocês que ouvem. E estamos agora restritos nesta terra, que não é nosso lar, nesta prisão de carne e sangue; talvez, muitos de nós em algemas de escuridão também, até que sejamos trazidos adiante. Aqui, um homem é questionado, concernente a um ou dois fatos, que se supõe, ele tenha cometido; lá nós deveremos prestar contas de todas as nossas obras, do berço à sepultura; de todas as nossas palavras; de todos os nossos desejos e temperamento; todos os pensamentos e intentos de nossos corações; de todo o uso que fizemos de nossos vários talentos, quer de mente, corpo, ou fortuna, até que Deus nos disse: "Dá um relato de tua mordomia, porque tu não serás mordomo por muito tempo mais". Nesta corte, é possível que alguns que sejam culpados possam escapar por necessidade de evidência; mas não haverá falta de evidência naquela corte. Todos os homens, com os quais vocês têm o mais secreto intercurso, que foram privados de todos os seus desígnios e ações, estão prontos diante de sua face. Assim, estão todos os espíritos da escuridão, que inspiraram os maus desígnios e os assistiram na execução deles. Também estão todos os anjos de Deus; aqueles olhos do Senhor, que seguiram de um lado para outro sobre toda a terra, que vigiaram suas almas, e trabalharam para seu bem, tanto quanto vocês lhes permitiram. Assim está sua própria consciência; milhares de testemunhas em uma; agora não mais capaz de ser tanto cega quanto silenciada, mas constrangida a saber e a falar a verdade nua, no tocante a todos os seus pensamentos, e palavras e ações. E a consciência é como milhares de testemunhas? --- sim, mas Deus é como milhares de consciências! Ó, quem poderá situar-se diante da face do grande Deus, até mesmo, de nosso Salvador Jesus Cristo!
Veja! Veja! Ele vem! Ele faz das nuvens suas carruagens! Ele cavalga junto às asas do vento! Um fogo devorador vem antes dele, e depois Dele, uma chama flamejante! Veja! Ele se senta em seu trono, vestido com luz como um ornamento, enfeitado com majestade e honra! Observe, seus olhos são como a chama do fogo, sua voz como o som de muitas águas!
Como você escapará? Você pedirá às montanhas para caírem sobre você, as rochas para o cobrir? Ai de mim, as próprias montanhas, as rochas, a terra, os céus estão prontos para fugirem! Você pode impedir a sentença? Por meio do que? Com todos os materiais da sua casa; com milhares de ouro e prata? Pobre cego! Tu vieste nu do ventre de tua mãe, e mais nu para a eternidade. Ouve o Senhor, o Juiz! "Vem, abençoado de meu pai, herdeiro do reino, preparado para ti, desde a fundação do mundo". Som jubiloso! Quão amplamente diferente daquela voz que ecoa, através da expansão do céu: "Parta você, praguejador, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos!". E quem é aquele que poderá impedir ou retardar a completa execução de uma sentença ou outra? Esperança vã. Veja que o inferno se moveu abaixo para receber aqueles que estão prontos para a destruição. E as portas eterna se abrem, para que os herdeiros da glória possam entrar!
5. "Que tipo de pessoas, então, devemos ser, em todo modo de vida e devoção santa!". Nós sabemos que não poderá ser muito tempo antes que o Senhor desça com a voz do arcanjo e a trombeta de Deus; quando cada um de nós deverá aparecer diante Dele, e dar um relato de suas próprias obras. "Pelo que, amados, vendo que vocês procuram por essas coisas"; vendo que vocês sabem que Ele virá e não tardará, "sejam diligentes, para que vocês possam ser encontrados por Ele, em paz, sem marca ou culpa". Porque vocês não deveriam? Porque algum de vocês deva ser encontrado, do lado esquerdo, no aparecimento Dele? Ele não vai querer que alguém pereça, mas que todos possam vir para o arrependimento; através do arrependimento, para a fé no Senhor que sangra; através da fé, para o amor puro, para a completa imagem de Deus, renovada no coração, e produzindo toda santidade de vida. Vocês podem duvidar disto, quando vocês se lembram que o Juiz de todos é igualmente o Salvador de todos? Ele não os comprou com seu próprio sangue, para que vocês não pudessem perecer, mas tivessem a vida eterna? Ó, façam prova de sua misericórdia, preferivelmente, do que de sua justiça; de seu amor, preferivelmente, do que do estrondo de seu poder! Ele não está longe de cada um de nós; e Ele está vindo agora, não para condenar; mas, para salvar o mundo, Ele se coloca no meio! Pecadores, agora, até mesmo agora, Ele não bate à porta de seus corações? Ò, que vocês possam saber, pelo menos neste dia, as coisas que pertencem a sua paz! Ó, que vocês possam agora dar a si mesmos a Ele que deu de Si mesmo por vocês, em fé humilde, em amor santo, ativo, paciente! Assim vocês se regozijarão com excedente alegria no dia Dele, quando Ele vier nas nuvens do céu.
            Introdução de Sugden
            Este sermão foi acrescido, na edição de 1771, parcialmente, por conta da ocasião sem paralelo de sua entrega; parcialmente, porque não havia sermão, no original quarenta e quatro, sobre este assunto. Wesley fala sobre ele em seu Diário, em 1º. De Setembro de 1778: "Eu não posso escrever um [sermão] melhor sobre o Grande Julgamento, do que eu fiz há vinte anos atrás". Era costumeiro para os juízes de Tribunal atenderem um serviço na paróquia da cidade, em que eles tivessem assento, em todo o esplendor de seu escarlate e arminho, com seus trombeteiros, lanceiros, e outros oficiais da Corte em atendimento; e era uma das obrigações do Alto Xerife do Condado realizar preparativos para a pregação do sermão. O Sr. William Cole, que era alto Xerife de Bedfordshire, naquele tempo, era amigo de Wesley, e foi seu anfitrião em Novembro de 1759. Ele viveu em Sundon, uma vila um pouco a leste da estrada principal de Luton para Bedford, cerca de cinco milhas norte de Luton. Provavelmente, ele fez os preparativos para o sermão do Julgamento, quando Wesley estava em Bedford, em Novembro de 1757; e na segunda-feira, 27 de Fevereiro, Wesley registra: "Tendo um sermão escrito em preparação para os Julgamentos, em Bedford, eu me retirei por alguns poucos dias para Lewisham" – sem dúvida, para a casa do Sr. Ebenezer Blackwell. Ele deixou Londres, na segunda-feira, dia 6 de Março, às sete da manhã, e alcançou a casa do Sr. Cole, em Sundon, pelas três horas da tarde. Na quinta-feira, ele cavalgou para Bedford, esperando pregar neste dia; mas, por alguma razão, provavelmente, porque os casos no Julgamento prévio tomaram mais tempo do que foi antecipado, o serviço foi adiado para o dia seguinte. O serviço aconteceu na manhã, na Igreja de St. Paul, um dos principais ornamentos arquitetônicos da cidade. Ela se situa no lado norte do Rio Ouse, e tem uma fina torre e um pináculo octogonal. A velha pedra do púlpito, da qual Wesley pregou, ainda está preservada na nave sul, e uma fotografia dela e da igreja pode ser vista na edição padrão do Diário – vol. 4. p. 403. O Diário recorda: "A congregação de St. Paul era muito grande e muito atenciosa. O juiz, imediatamente depois do sermão, enviou-me um convite para jantar com ele; mas não tendo tempo, eu fui obrigado a enviar minhas desculpas, e partir entre um e duas horas". Ele tinha que alcançar Epworth, para o Domingo, e chegou a Stilton, cerca de trinta milhas, por volta das sete horas. Na manhã seguinte, ele começou, entre quatro e cinco horas, e através da geada e inundação percorreu as noventa milhas para Epworth, por volta das dez daquela noite. Ele diz: "Eu estava pouco mais cansado, do que quando eu me levantei na manhã!" – Um homem baixo, magro, e resistente ele era!
            O juiz nesta ocasião foi Sir Edward Clive, que tinha sido feito Juiz das Contestações Comuns, e cavaleiro em 1753. Ele era exatamente um ano mais jovem do que John Wesley, e morreu em 1771. Uma caricatura dele pode ser encontrada na ilustração de Hogarth, "O Juiz", publicada neste mesmo ano, 1758. Ele está sentado entre o Ministro do Supremo Tribunal Willes e o Sr. Juiz Bathurst, que caiu no sono. Ele é representado como uma pequena cabeça, quase perdida em sua cabeleireira, funda, um nariz longo, fino, e um queixo quebra-nozes. O sermão foi publicado separadamente por Trye, naquele mesmo ano, a pedido do Alto Xerife e outros, e teve algumas dez edições durante a vida de Wesley. O Rev. Richard Green o chama de "um modelo de sermão", e diz: "Ele é bem estruturado, claro, prático, sincero; as afirmações são todas apoiadas nas Escrituras apropriadas, e a verdade fielmente aplicada à consciência". O título "O Grande Julgamento" foi um nome familiar para o Último Julgamento; ele é encontrado já no ano de 1340, em Remorsos da Consciência de Hampole, 5514, e diversas outras instâncias são dadas no Dicionário Oxford. "Assize".A nota preliminar, "Pregado, quando do Julgamento", etc, nas edições modernas é da página título da segunda edição, também publicado em Londres por Tyre; ele aparece na forma abreviada na edição de 1771, sem a última clausula "Publicada a pedido", etc.
            Dois pontos no sermão chamam para o criticismo [sistema filosófico de Kant, que procura determinar os limites da razão humana; racionalismo crítico], na visão de recentes investigações no ensino escatológico do Novo Testamento. Em Primeiro Lugar, Wesley identifica, sem discussão, o Dia de Jeová do Velho Testamento, profetas e os Apocalípticos escritores judeus, com o Dia da segunda vinda de nosso Senhor, a ressurreição geral, e o último Julgamento, dos documentos do Novo Testamento; e ele usa indiscriminadamente passagem de todas essas fontes para dar detalhes e caráter pitoresco à seu quadro. Além disso, ele adota a mais literal interpretação delas todas, o único ponto em que ele evita sendo a duração do Dia do Julgamento, que ele pensa "não pode improvavelmente compreender diversos milhares de anos"; e o abrir dos livros, que ele diz é "uma expressão figurativa".Dificilmente se poderá duvidar de que o ensino de nosso Senhor foi largamente influenciado pelo Velho Testamento e concepção apocalíptica, especialmente em Suas predições a respeito da destruição de Jerusalém e da política judaica; mas Ele acrescentou a isto, a idéia de um julgamento individual, assim como nacional, e estendeu seu escopo para o mundo todo.
            Em Segundo Lugar, Wesley adota uma visão de que o Ultimo Julgamento terá lugar em algum tempo definido, na história futura do mundo, quando as vidas de todos os homens serão revistas e a sentença pronunciada junto a eles. Este é certamente o significado óbvio do ensino dos livros do Novo Testamento, que foram escritos antes da destruição de Jerusalém pelos romanos; mas quando aquela tremenda catástrofe tomou lugar, e tornou-se claro que o Grande Julgamento e o fim da Era não tinha vindo, encontramos nos escritos de João, uma nova maneira de ensino, implicando que o Julgamento é realmente contínuo e agora prossegue. Assim, "Ele que crê Nele não é julgado; ele que não crê já foi julgado... e este é o julgamento, para que a luz [conhecimento] viesse para o mundo, e os homens amaram a escuridão, preferivelmente do que a luz; porque as obras deles eram más".(João 3:18). Novamente: "Em verdade, em verdade, lhes digo que aquele que ouve minha palavra e crê Nele que me enviou terá a vida eterna e não virá para o julgamento... A hora vem e é agora, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus; e eles que ouvirem, viverão". (João 5:24). Novamente: "Por causa do julgamento, eu vim para este mundo". (João 9:39). Novamente: "Agora é o julgamento deste mundo". (João 12:31). Ao mesmo tempo, João também fala de uma ressurreição futural geral, do "último dia", e "do dia do julgamento".  Parece claro: (1) que nosso Senhor falou nos termos da crente nacional corrente de Seu tempo, que era derivada dos profetas do Velho Testamento e dos Apocalipses dos períodos pérsios e gregos, o tempo "entre os Livros"; (2) que Ele usou de métodos de ilustrações, preferivelmente ao método abstrato de transmitir a verdade para Seus ouvintes. Ele pode, assim, seguramente dizer que os elementos essenciais de Seu ensino são: 1) que haverá um julgamento universal de todos os homens; 2) que Ele mesmo será o Juiz; 3) que o padrão do julgamento será Sua própria vida e ensino; tanto quanto aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo estão preocupados; 4) que para o pagão, o padrão será a própria consciência dele; 5) que os resultados do julgamento são decididos nesta vida, e 6) que a decisão será final. Mas quanto à extensão para a qual Suas representações do Último Julgamento deverão ser tomadas, quando expressando fato físico literal, nós deveríamos ser mais sábios, se confessássemos nossa ignorância e nossa inaptidão para alcançarmos alguma conclusão dogmática. Quanto ao texto, a melhor leitura atestada é: "Nós deveremos todos nos situar diante da cadeira de julgamento de Deus"; na verdade, este texto é usado por alguns dos Antepassados para provar a divindade de Cristo, porque ele deixa claro, em muitas passagens que Ele será o Juiz; e o Juiz é aqui chamado de Deus.
            Notas de Rodapé - Sugden
            1. "Nosso gracioso Soberano" é George II. Wesley foi sempre intensamente leal. Em 1744, ele escreveu um Discurso de suas Sociedades para o Rei no qual ele diz: "Estamos prontos a obedecer à sua Majestade ao extremo, em todas as coisas que concebemos esteja de acordo [com a Palavra de Deus]. E nós exortamos sinceramente todos com os quais convivemos, a assim como eles temem a Deus, honrarem o Rei".  O Discurso não foi enviado, principalmente porque poderia significar que os Metodistas eram "um corpo distinto da Igreja Nacional". Em 1745, o ano da invasão da Inglaterra, pelos Jovens Pretendentes, ele escreveu ao Prefeito de Newcastle: "Tudo que eu posso fazer pela Sua Majestade, a quem eu honro e amo – Eu penso não menos do que eu faria ao meu próprio pai – é isto: eu clamo a Deus, dia a dia, para colocar todos os seus inimigos em confusão", etc. Quando George II morreu em Outubro de 1760, ele registra em seu Diário (25 de Outubro): "Rei George reuniu-se aos seus antepassados. Quando a Inglaterra terá um Príncipe melhor?". Alguém pensa de Carlyle (Sartor 1.9). "A sua peruca de crina de cavalo dependurada, pele de esquilo, e luva de pelúcia, por meio dos quais todos os mortais sabem que ele é um JUIZ. A sociedade, que, quanto mais eu penso nela, mais me espanto, é alicerçada em junto ao Clero". Wesley nunca menosprezou a forma e o cerimonial; ele próprio vestia trajes cerimoniais para seus estudos bíblicos, com suas sociedades em Londres e Bristol, e para seus serviços [pregações] no campo.
2. Este parágrafo, finamente e impressivelmente composto, como ele é, é um desafio a toda exegese profunda. Algumas das palavras citadas referem-se à invasão de Judá pelos Assírios; algumas, à vinda do Espírito Santo; algumas à destruição de Jerusalém pelos Romanos; algumas à queda da própria Roma. Todas essas foram, em um sentido, "dias de Jeová"; mas não havia garantia para transferir todos esses sinais ao dia final de julgamento, nem para a interpretação literal deles. 
Esta justa observação sobre a diferença entre o presente e a ressurreição dos corpos é desenvolvida, em detalhes, no sermão 138, "Sobre Afligir o Espírito Santo", originalmente escrito por Benjamim Calamy, e revisado e resumido por Wesley em 1732. "Essência" e "propriedades" são aqui usadas em seu sentido filosófico; o corpo será o mesmo em essência (não composto das mesmas partículas materiais), mas suas propriedades, por exemplo, suas características e qualidades serão inteiramente mudadas. Acima de tudo, ele será um corpo "pneumático", e não um corpo "físico"; por exemplo, ele estará bem adaptado para o uso e manifestação do espírito, como o corpo presente é adaptado para o uso e manifestação da psique ou alma animal.
           
            "Hades" é muito propriamente substituído por "inferno", que está aqui, e, de fato, em todas as passagens, onde está a tradução de Sheol, ou Hades, que mais impressão errada dá ao leitor inglês. Ele é o mundo dos espíritos que partiram, e não o lugar de punição do Diabo e seus anjos.
3. "Todas as nações" -- mais exatamente "todos os gentios". Este relato do julgamento refere-se apenas ao julgamento das nações pagãs, que não têm ouvido de Cristo; e o padrão do julgamento não está de acordo com a relação deles para com Ele, mas o cumprimento de suas obrigações comuns de delicadeza e caridade lá demonstradas. É um suplemento das três parábolas precedentes do Mordomo, das Virgens, e dos Talentos; a primeira descrevendo o julgamento do ministro cristão; a segunda e terceira de dois lados do julgamento daqueles que ouviram o evangelho; primeiro do ponto de vista da fé; segundo, do ponto de vista das obras.
"O amado discípulo". É certo que Wesley aceita a autoria do Apocalipse como sendo de João.
4. "Resplendor", mais exato do que "esplendor", O Filho é para o Pai como os raios de luz são para o sol. 
"Embora não seja roubo": melhor, "embora não seja um propósito procurar alcançar" ser igual com Deus. Ele colocou de lado por um tempo Sua igualdade com o Pai, que Lhe foi, no entanto, restaurada, quando Deus deu a Ele o nome que está acima de todo nome.
5. Pole cita de Joseph Mede, "Quod jam dixi diem judicii, non intelligi velim de die brevi, sive paucarum horarum; sed de spatio mile annorum quibus dies illa durabit"; isto é: "O dia do Julgamento não é entendido como um dia curto de vinte e poucas horas, mas como um espaço de milhares de anos, durante o que este dia durará".
6. "escritor eminente" é Edward Young, o autor de Pensamentos Noturnos. A citação é de seu poema "O Último Dia" (1721) O original transcorre assim:
Suavizar e estender
Teu espaço ilimitado,
Duas vezes a altura planetária
            Young diz: Agora o triunfo descendente interrompe sua luta da terra ocupada, duas vezes a altura planetária. Presumivelmente, ele quer dizer duas vezes tão distante, quanto a terra é do planeta mais longínquo. Tudo isto parece preferivelmente de pouco valor solene. 
            7. "Quatrocentos milhões"; está agora estimado como, mais ou menos, cento e quinze milhões. Mas alguns poucos milhões, mais ou menos, não merecem consideração em tal cálculo completamente indeterminado como este. A citação é novamente de Young. Wesley protesta contra alguém que altere os versos de seu irmão; mas ele nunca hesita em fazer a mesma coisa com outras pessoas; a passagem original em Young transcorre: --.
O mundo do grande Xerxes, em armas, o orgulhoso anfitrião de Cannae.
Onde Carthage ensinou Roma vitoriosa a se render.
A imortal Belém, a celebrada anfitriã de Ramillia
Todos estão aqui; e aqui todos estão perdidos.
Os seus milhões vendidos para serem discerníveis em vão;
            Perdidos, com uma onda em teu alto-mar sem fim.
8. a citação é de Aeneide de Virgílio. O assunto dos verbos é Rhadamanthus, o juiz místico do morto. Nenhuma tradução é fornecida em 1771 ed. Edições Modernas dão a versão de Dryden. O significado é "Rhadamanthus de Gnosus aqui mantém o seu bastão de ferro, e os açoita e ouve suas fraudes, e compele cada homem a confessar as expiações proteladas até a morte (ai de mim! Muito tarde!), que foram devidas para os crimes que ele cometeu na terra, regozijando-se em esperança vã de que eles pudessem ser ocultos".
9. "Para justificar o caminho de Deus para o homem": do Paraíso Perdido de Milton. No original a última linha é "homens".
10. "O terceiro céu". Paulo (II Cor. 12:2) diz como ele alcançou o terceiro céu, ou paraíso, e ouviu palavras indizíveis que não estão no poder do homem falar. É, duvidoso, se ele pensou de três céus apenas -- a saber, o céu da atmosfera e nuvens, o céu do sol e estrelas, e o céu do morto abençoado – ou aceitou a crença judaica no sete céus, do qual o Paraíso foi o terceiro em ordem de baixo para cima.
Wesley admite nenhuma esperança final para o impenitente, e interpreta literalmente essas passagens que falam do julgamento deles. No primeiro, contudo, Inferno é Sheol, e tudo o que o salmista diz é que todas as nações (não as pessoas) que esqueceram Deus irão partir para o mundo do morto. No Sermão 73, Sobre o Inferno, ele é completamente explícito quanto à sua crença no tormento sem fim do mau, em material de fogo. Nenhum desses sermões é, contudo, parte da doutrina padrão Metodista.

11. A destruição final da terra, pelos fogos está completamente dentro dos limites de possibilidade. O impacto de algumas estrelas viandantes geraria calor suficiente para o propósito; ou pode ser aquela gravitação que irá, por fim, dominar a força centrífuga e o arco irá cair no sol. Mas tais especulações são tão infrutíferas quanto incertas; e a idéia no próximo parágrafo da origem do mar de vidro é meramente grotesca.
            12. Cícero é o autor da frase "filósofos precisos". Ele fala no Senect de "Quidam minuti philosophi," significando levianos, insignificantes. No uso inglês ela preferivelmente significa meticulosos, precisos, especuladores. Toda esta discussão quanto à quantidade de fogo é absurda: fogo não é uma coisa, mas um estado de violenta combinação química; um palito de fósforo é completamente suficiente para causar uma conflagração, se houver combustível suficiente. Wesley estava ardentemente interessado no fenômeno elétrico, e foi o primeiro homem na Inglaterra a fazer uso dele como agente curativo. Seu panfleto chamado "O Desideratum; ou Eletricidade Feita Clara e Útil",publicado em 1760, detalha muitos dos experimentos de Franklin, tais como extraindo faíscas do corpo humano ou da pele de um gato. Isto é o que ele pensava quando ele disse que nossos corpos estão cheios de fogo.
"Livre-Pensador" foi o nome reivindicado pelos Deístas e outros que rejeitaram a revelação cristã, no início do século dezoito. Aqui Wesley o usa de Ovídio, o poeta romano, com uma espécie de sugestão de que os livres-pensadores modernos eram semelhantes a ele em suas visões religiosas. A citação é de Metamorfose, 1256, onde Júpiter, preparando para arremessar seus raios com trovões, hesita em fazê-lo, a fim de que ele não fixasse o éter chamejante, "porque ele se lembra que isto está entre os decretos do destino, de que um tempo virá quando o mar, a terra, e o palácio do céu pegarão fogo e queimarão, e a massa do mundo, tão laboriosamente construída colocar-se-á em perigo".
13. "Em sua sã consciência"; assim o autor do antigo Poema Kentish Morale diz: Elch man sceal him then biclupien and ecach sceal him demen; His aye weorc and his ithanc to witnesse he sceal temen, que traduzido é: Todo homem deverá acusar a si mesmo lá, e todo homem julgará a si mesmo; sua própria obra e sua consciência, ele trará para testemunharem.
"Veja! Veja! Ele vem". Uma das mais refinadas e mais comovidas perorações de Wesley.
[Editado por Jennette Descalzo, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
 John Wesley